seu dinheiro

4 armadilhas para criar confusão e ‘sugar’ seu dinheiro

Hoje mostraremos quatro momentos de consumo em que são inseridos argumentos não-racionais a fim de criar confusões mentais e fazer você gastar mais do que o suficiente, ou seja, para sugar seu dinheiro.

Um dos grandes objetivos das finanças pessoais é ensinar as pessoas a tomarem decisões racionais e também a estabelecer bons hábitos em seus atos de consumo (assim como em seus atos de investimento).

O problema, quanto às decisões racionais, está no fato de que os argumentos aparecem como verdadeiros, em que são usadas tantas frutas e bebidas que você nem consegue decifrar de que é feito. Isso é proposital, o objetivo é criar uma salada de frutas, um verdadeiro coral com diversas vozes, confundindo argumentos racionais e emocionais.

seu dinheiro

O problema é que se trata de uma batalha muito desigual:

  • De um lado, as pessoas precisam de buscar ativamente educação financeira (aprendendo conceitos e técnicas) e promover ao longo do tempo uma mudança de hábitos (de hábitos perdedores para vencedores);
  • Do outro, trilhões de dólares e reais são gastos em propaganda para que você estabeleça passivamente padrões perdedores e que a sociedade crie exigências sociais de consumo, muitas vezes supérfluos ou de luxo desmesurado, sugando sua riqueza.

Hoje abordaremos as decisões que julgamos tomar racionalmente. Em nosso próximo artigo, vamos nos dedicar a abordar os hábitos que criamos (lembre-se que a maioria de nossas atitudes diárias são automáticas e, portanto, hábitos podem formar vencedores ou perdedores no longo prazo).

Então, vamos aos 4 temas sobre os quais são criadas, propositalmente, confusões de argumentos para que você, mesmo tentando decidir racionalmente, caia em verdadeiras armadilhas de consumo.

Você perceberá que todos eles tem algo em comum: o materialismo. A ideia da confusão é fazer você crer que deve expressar seus sentimentos por meio de bens ou, pior ainda, de eventos luxuosos. O objetivo é conquistar a aceitação social, gerando em você a sensação de pertencimento a um determinado grupo.

1

Festas de casamento e de formatura

Não há momento mais importante para a maioria das pessoas do que a cerimônia de casamento ou de formatura.

E mais, esses momentos são de especial importância para os pais, que dedicaram grande esforço para arcar com a faculdade dos filhos, ou, no casamento, como um evento de despedida do filho ou filha que passará a seguir seu próprio rumo, constituir sua própria família.

Até aí, tudo bem, temos a exata noção da importância simbólica dessas cerimônias (casamento e formatura).

Porém, levando em consideração essa importância simbólica, construiu-se ao redor desses eventos um mercado totalmente desconectado da realidade (e da racionalidade) de preços, justamente para explorar esse fator emocional.

Aluguel de vestidos, foto e filmagem, confecção de convites, arranjos florais e decoração em geral, aluguéis de espaços e móveis, bandas de formatura e buffet são escolhidos muitas vezes pelo maior valor, o qual embute uma margem de lucro inimaginável em outros ramos de comércio e de serviços.

Mas por que as pessoas pagam tão caro? Porque, no momento de decidirem “racionalmente” sobre os serviços a contratarem, surgem argumentos que não vêm da razão, mas da necessidade de conquistar a aceitação do grupo ao qual a pessoa pertence:

  • A pressão (muitas vezes interna!) que a pessoa sofre para evitar comentários do tipo: “A decoração desse casamento é tão simples, fulano deve estar em dificuldades financeiras”, “Fulano tem tanto dinheiro, poderia ter feito algo melhor”, ou ainda “Fulano investiu tanto na faculdade do filho, uma formatura melhor não representaria nada perto do que ele já gastou”.
  • Assim como veremos no exemplo abaixo (sobre bebês e pets), a tendência é a de que um dos envolvidos tome a decisão não-racional (pelo pior custo-benefício, ou seja, pelo maior custo para um benefício similar) somente porque, internamente, mesmo sem a pressão social, a pessoa quer demonstrar o quanto a ocasião é especial (ou ama  um bebê/pet);

2

Bebês e Pets

É similar ao caso das festas de formatura, porém, aqui a pressão é muito menos externa, mas principalmente interna.

Obviamente, todo pai quer o melhor para seu filho. Mas isso precisa se traduzir em bens?

Não precisa chegar ao caso ridículo de uma amiga nossa (não estou falando mal pelas costas, eu digo isso a ela “de frente”) que comprou óculos de sol Ray-ban, tênis Nike, camisa oficial do Barcelona, para seu bebê de 1 ano.

Estamos falando basicamente de fatos como um acúmulo de centenas de brinquedos inúteis, o que já ensina à criança, desde pequena, o desperdício e o consumismo desenfreado.

Falamos de algo também até mais sutil e menos grave, mas também não-racional, como o ato de alguns pais de “anteverem” necessidades antes que elas apareçam e “torrar dinheiro”.

Um exemplo real é uma babá eletrônica que a Liz teimou em comprar antes da vinda de nosso filho. Babá essa que não foi, nem há previsão de ser usada (claro que alguns pais terão necessidade real desse aparelho, mas não foi o nosso caso e desperdiçamos dinheiro simplesmente porque a mãe não podia suportar a ideia de que algo viesse a fazer falta no futuro).

Além disso, nosso carro sempre foi um compacto. Recentemente tivemos um bebê e descobrimos que precisamos de um porta-malas maior quando tentamos colocar o carrinho de bebês no porta-malas do nosso e ele simplesmente nem entrou.

No estudo de um novo carro para a família, amigos e parentes sempre têm indicado (veja a pressão social agindo!) a “necessidade” daquelas SUV na faixa de 100 mil reais (não levam em conta o gasto futuro com o veículo). Bom, raciocinando friamente, se a necessidade é de um porta-malas maior, os grandes sedãs como o Logan ou o Siena (porta-malas de 500 litros ou mais), até mesmo semi-novos, resolvem a questão.

Se, porém, a pessoa resolve optar por algo mais caro e luxuoso, obviamente, outros fatores (não-ditos, no caso) estão tentando interferir na decisão de compra. Nesse caso, novamente é a ideia de que “se você gosta muito de seu bebê”, deve dar o melhor para ele! Sem dizer, pois fica implícito, que o melhor é o “mais caro”.

O mesmo tem ocorrido, em menor escala, mas em ritmo ascendente, com os animais de estimação. A lista de objetos e serviços inúteis que estão sendo vendidos para os donos de cães e gatos só aumenta.

3

Grandes shows

Um teatro precisa ser assistido ao vivo. Um show de música também pode ser melhor ao vivo, se você assisti-lo em um local de boa acústica, construído para esse fim.

Por outro lado, sabemos que há shows em locais em que é praticamente impossível ouvir o que está sendo tocado.

Da mesma forma, sabemos que há shows em que o custo não tem qualquer relação proporcional ao benefício, como nos eventos de massa que custam até mais que mil reais (em um evento para poucas pessoas, esse custo pode ser necessário para diluir o cachê do artista e o gasto com locomoção, por exemplo).

No fundo, o que move as pessoas a irem a tais eventos é, muitas vezes, não a música em si, nem a apresentação, mas a necessidade de reafirmar e demonstrar socialmente a sua apreciação por tal artista.

Atenção, não estamos falando para você não participar de eventos!

Só estamos deixando claro que você deve ter consciência da real motivação da ida (a demonstração social de apreço) e, também, que você deve ir a eventos de mil reais (só porque tem esse dinheiro), ou acha que aquele evento poderia muito bem custar 100 reais.

4

Artigos de informática e tecnologia em geral

Aqui o argumento não-racional aparece na forma de um sentimento de “atualização”.

Você não adquire um novo Smartphone pelas funções que lhe serão úteis (muitas vezes seu antigo cumpria muito bem o papel). Você adquire para não se sentir ultrapassado, velho.

A pressão social também pode interferir.

Se todos seus amigos mais próximos adquirirem o mesmo produto, você pode usar internamente o pseudo-argumento de que você resistiu bastante e agora já pode se presentear tal produto, “pior é quem comprou logo que foi lançado, pois era mais caro e agora o preço caiu”. Na verdade, não importa se o preço caiu se você não precisa de determinado bem.

O lançamento a um preço exorbitante e sua posterior queda de valor faz parte da estratégia para conquistar, primeiramente o tecnomaníaco irracional, e em um segundo momento, o caçador de pechinchas.

Veja bem, o fato de o preço estar menor agora e você supostamente comprar em melhores condições do que aqueles que adquiriram de imediato não torna a aquisição, por si só, justificável! Esse argumento também cria confusão e ajuda a sugar o seu dinheiro, fique atento!

 

Resumindo

Vimos que as finanças pessoais buscam melhorar nossas decisões supostamente racionais e nossos hábitos, tanto de consumo, quanto de investimentos.

Nesse artigo, abordamos as decisões e, em nosso próximo artigo, abordaremos os hábitos.

Vimos ao menos 4 momentos em que argumentos não-racionais e consumistas tentam interferir em nossas escolhas:

  • Festas com alto valor simbólico
  • Pessoas e animais muito queridos: bebês e animais de estimação
  • Tecnologia
  • Eventos e shows

O que buscamos é mostrar a necessidade de você separar o que é argumento racional e o que é pressão social ou necessidade pessoal de aceitação do meio em que você vive, para que você tome as decisões de acordo com seus objetivos financeiros.

Em nosso próximo artigo, falaremos sobre hábitos (inúmeros comportamentos automáticos que temos em nosso dia-a-dia) que são atitudes que tomamos sem pensar e que, no longo prazo, podem nos tornar mais felizes (hábitos vencedores) ou menos (hábitos perdedores), bem como o que podemos fazer para cultivar bons hábitos.

Comente sobre esse artigo abaixo, inscreva-se para receber atualizações e até a próxima!

Mais sobre os assuntos:

author-photo

Eduardinho é Auditor da Receita Federal e educador na área de Finanças Pessoais. Criador do método Carteira Rica de enriquecimento, o autor compartilha suas dicas neste blog e vai ajudar você a transformar o modo como lidar com seus investimentos.

3 Comentários