jeremy rifkin

Capitalismo em queda: Como lucrar com isso

O capitalismo está em decadência.

Se você estiver com os dois pés no passado, pensará logo que se trata de alguma panfletagem comunista. Mas a frase, além de não ser minha, não vem de ninguém da tradicional esquerda, mas de um cientista americano que está longe de fazer apologia a Marx.

Na última década, Jeremy Rifkin foi conselheiro de Nicolas Sarkozy, Angela Merkel, e de, pelo menos, os primeiros-ministros de Portugal, Espanha, Holanda e Eslovênia. Ele também palestrou no TED Talks e leva a vida como consultor de alguns dos maiores empresários do mundo.

Se você quer entender como funcionará a economia das próximas décadas, por motivos óbvios como para eleger bem sua área profissional, para decidir negócios nos quais investir, até mesmo para saber como deve construir sua casa, você deveria ouvir o que Rifkin tem a dizer.

Ou então, você pode fazer como o próprio Brasil, cujo governo nunca o procurou (se houver informações em sentido contrário, favor me avisarem para eu corrigir isso), e continuar com a mentalidade presa à 2ª Revolução Industrial e fadado novamente a deixar o bonde passar e ficar no time dos retardatários durante a 3ª Revolução Industrial. Ao contrário de Alemanha e China, que devem ter papel proeminente nesse novo movimento, assim como os países baixos e os nórdicos.

Conteúdo desse artigo:

O que pensa Jeremy Rifkin

Negócios promissores

O que pensa Jeremy Rifkin

Pelo que pude entender de Rifkin, ele não defende a tese de que o capitalismo acabará, mas simplesmente que perderá espaço e ficará à sombra de uma forte economia colaborativa, que está nascendo durante aquela que chama de a 3ª Revolução Industrial.

Como não sou especialista em sua obra, apenas li algo sobre ele e assisti a algumas entrevistas e apresentações suas no Youtube, as ideias que apresento abaixo podem conter equívocos (se perceber algum, avise-nos). Como pretendo ler o seu A Sociedade de Custo Marginal Zero: A Internet das coisas, os bens comuns colaborativos e o Eclipse do Capitalismo, esse artigo deve vir a ser atualizado no futuro, diante de uma visão mais profunda do que é a mensagem do autor.

Voltando ao assunto, essa 3ª Revolução Industrial já se iniciou e é baseada no nível tecnológico que alcançamos, em que é possível uma comunicação instantânea global e também em um aumento do nível de produtividade e eficiência energética. Podemos inferir alguns exemplos da economia colaborativa a partir de uma das frases de Rifkin:

Ter carro é coisa do vovô. As gerações mais novas querem acesso, e não posse.

O exemplo imediato que me veio à cabeça é o das bicicletas do Itaú em algumas capitais: ao usuário importa o acesso, não a propriedade da bicicleta. Nesse sentido, do acesso, a ainda tradicional locação de veículos é um negócio que muito tem expandido nos últimos anos.

Mas esses dois exemplos que dei dizem somente da prioridade do acesso em relação à propriedade, mas são típicos capitalistas, pois são típicos serviços oferecidos por grandes corporações.

Onde entram, então, os exemplos de colaboração? Vejamos alguns casos:

  • No Brasil já chegou o empréstimo P2P, sites como o Biva já oferecem esse serviço;
  • A locação por temporada já pode ser feita diretamente entre proprietário e locatário em sites como o AirBnb.

Já esses esses dois últimos exemplos são típicos da economia colaborativa. Uma das características que salta aos olhos é a “quase” eliminação do intermediário. Elimina-se o Banco no caso dos empréstimos e elimina-se a Imobiliária no outro caso. Claro que permanece a mediação por uma ferramenta tecnológica (site ou aplicativo), mas a questão é que muitos dos sistemas que estão surgindo são puramente gratuitos (open source) ou de baixíssimo custo marginal. O que pode tornar eventualmente tais serviços praticamente gratuitos.

Mas o que é custo marginal?

Custo marginal é um termo econômico para designar o quanto varia o custo total de produção a cada unidade a mais produzida. Em miúdos: se eu gasto 300 reais para produzir 30 camisetas (R$ 10/camisa), mas gasto 303 para produzir 31 (R$ 9,77 por camisa), o meu custo marginal é de 3 reais. E, à medida que produzo mais, mais os custos fixos são diluídos. No limite, o custo por unidade é o custo marginal.

Segundo o autor, a força do custo marginal zero no setor das informações surgiu primeiro e já está varrendo do mapa as indústrias de revistas, jornais e livros impressos ao redor do mundo (pois o impresso não pode sair a custo marginal zero). Muitas pessoas acreditavam que o custo marginal zero pararia por aí.

Porém, na minha interpretação, o exemplo que dei acima, de empréstimos P2P ou locação sem intermediários, seria um segundo estágio do custo marginal zero. São serviços reais.

Por fim, o último estágio seria o custo marginal zero alcançando a produção de energia e de bens. A internet das coisas, enfim, possibilitaria trazer para o mundo físico esse fenômeno que já está tão claro no mundo informacional.
Esse vídeo está em inglês, mas abaixo há um vídeo com legendas em português.

No caso dos empréstimos P2P, veja que economizou-se uma gigantesca máquina bancária: agências, correspondentes bancários, gerentes, publicidade, patrocínio de clubes de futebol, etc. para se obter o serviço empréstimo de uma maneira direta entre aquele que tem poupança sobrando e aquele a quem esta falta.

Mas o autor não fala apenas de colaboração em serviços e informação, e fala também em internet das coisas e colaboração também na produção de energia e bens. E aqui ele não está falando de utópicas hortas comunitárias, mas da produção de energia fotovoltaica em cada edifício dos grandes centros, todos conectados na rede elétrica, vendendo seus excessos e adquirindo os complementos que lhe faltarem. Fala de uma rede global inteligente, em aparelhos eletrônicos interconectados e que processam e trocam informações de seus sensores – automação não apenas industrial, mas residencial – que vai revolucionar a produção e a logística.

Em termos de logística, dá para entender facilmente e isso já está virando realidade. Uma empresa que entendeu e abraçou o futuro é a DHL, empresa de transporte de encomendas (tipo Sedex). Seu lucro caía constantemente, até que entendeu de que se trata a nova economia. Lançou o My Ways e viu o negócio voltar a crescer. O My Ways é um aplicativo que permite enxugar completamente a estrutura de logística convencional. Caminhões e caminhoneiros? Dispensados, muito obrigado. Eu, pessoa comum, que tenho que fazer uma viagem a outra cidade e estou com o espaço de sobra no carro, posso me dispor a levar um pacote da DHL em troca de um dinheirinho extra. Eu já faria esse percurso mesmo, o que eu receber é lucro. Para a DHL, uma economia e tanto, pois se o aplicativo viralizar, pode enxugar o quadro e o ativo imobilizado. Para a sociedade em geral, uma economia gigantesca de recursos.

Quanto à produção… Bom, todos sabemos que é irracional e também gera desperdícios de energia o minério sair do Brasil, ir à China para sofrer industrialização, e retornar ao Brasil, por exemplo. Mas o que eu já vi do Rifkin até o momento não me deu uma solução alternativa para isso. Quando eu descobrir, atualizo o artigo. Se ele fala em economia colaborativa, imagino que os meios de produção barateariam suficientemente para que as pessoas se agrupassem, fizessem um crowdfunding e os adquirissem? Não entendi ainda esse ponto. A saber.

Bom, o autor antevê a produção domiciliar de energia fotovoltaica e a colocação do excedente na rede. Tudo isso em substituição à caríssima forma de extração de energia atual, a fóssil (perfurações caríssimas, estruturas exploratórias bilionárias e estruturas militares para defendê-las) (e que está se esgotando e provocando o aquecimento global).

Entenda um pouco mais sobre as teses de Rifkin, assistindo ao vídeo abaixo, que tem legendas em português. Para se concentrar na parte econômica, avance 10 minutos do vídeo, pois nessa primeira parte ele fala especificamente do aquecimento global (que realmente é um grande problema, mas que não está diretamente com nosso assunto).

Negócios promissores

Como dissemos, você tem duas opções.

  • Pode se agarrar ao passado, à era do petróleo, adquirindo ações de uma indústria em declínio, investindo em campanhas anacrônicas como a exploração do pré-sal (por um acaso é isso que o Brasil está fazendo?).
  • Ou abraçar a mudança e buscar o melhor posicionamento possível diante do que se aproxima. Tanto em termos de capacitação e conhecimento, quanto em termos de investimento nos ativos promissores.
Temos que lembrar também o poder de auto-realização das profecias de Rifkin: ao contrário de um teórico que senta e estuda, Rifkin atua como consultor de governos e grandes empresas. Assim, como várias dessas empresas passam a agir como se o cenário por ele traçado fosse se concretizar, acabam contribuindo para que esse cenário de fato se concretize.

Muitos eram céticos quanto à transição para carros elétricos. Até que a Tesla Motors entendeu bem a demanda que existia e a falta de correspondência na produção. Lançou seus modelos elétricos premium e hoje batalha para conseguir expandir a produção o suficiente para entregar a quantidade de carros procurada (enquanto outras montadoras batalham para conseguir clientes para seus excessos produtivos).

De maio de 2012, as ações na Nasdaq de código TSLA subiram de 27 dólares para 220 dólares. Uma alta de mais de 700% em 4 anos. Isso sem falar na Google, que segue firme para consolidar sua posição de provedora universal de soluções tecnológicas. Suas ações mais que dobraram nesse mesmo período. Não é à toa que o Jeremy Rifkin já deu palestras lá na sede da Google. Afinal, a empresa quer entender bem o cenário que se delineia.
Seguindo à risca as teses de Rifkin, é fácil ver que algumas oportunidades em:

  • Pequenos negócios de produção e/ou instalação de placas solares (que tende a crescer enormemente nos próximos anos);
  • Consultoria de eficiência energética;
  • Serviço de locação de bicicleta (vi no PEGN em um final de semana o empreendedor que oferece esse serviço em Curitiba);
  • Serviço de escritórios compartilhados (economia em infraestrutura);
  • A produção de aplicativos para celular e para web, em especial aqueles que tornam obsoletas soluções caras em recursos do mundo real (lembre-se do exemplo acima do Biva e do Airbnb, mas também de aplicativos de carona, o My Ways, etc.);
  • Serviços de troca e compartilhamento de objetos usados;
  • O serviço de manutenção de tudo isso que está por vir (assistência técnica qualificada, já que as máquinas não se consertarão);
  • Produtos locais e produtos naturais (outros trechos de falas do Rifkin, que não coloquei aqui, dão a entender isso).

Enfim, produtos informacionais, espaços físicos e virtuais para a promoção do compartilhamento (o AirBnb é um espaço virtual nesse sentido), 1- consultoria, 2- instalação e 3- manutenção de tudo que envolva o suporte à tecnologia envolvida são boas pedidas.

Mas isso é apenas um rascunho das ideias. Acreditamos que dezenas delas podem surgir. Por isso nós criamos um artigo colaborativo (no MTL há essa categoria específica de artigos) em que você participa ativamente: lê as sugestões alheias, dá suas sugestões, vota nas mais pertinentes.

Veja agora as ideias que os outros leitores sugeriram no artigo criado para esse fim (e faça também sua sugestão!):

economia solidária
Clique e veja as Ideias de Negócio para uma economia colaborativa

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Eduardinho é Auditor da Receita Federal e educador na área de Finanças Pessoais. Criador do método Carteira Rica de enriquecimento, o autor compartilha suas dicas neste blog e vai ajudar você a transformar o modo como lidar com seus investimentos.