como comprar ações

Como Comprar Ações: o Guia do Completo Iniciante

Exatamente agora, você pode estar considerando investir na Bolsa (já que está bem desvalorizada), mas ainda busca informações sobre como comprar ações. Esse artigo é para você.

Meu objetivo é que você termine a leitura de hoje:

(1) Decidido a fazer seu primeiro investimento em Bolsa e

(2) Pronto para escolher sua primeira Ação.

Por que investir na Bolsa de Valores?

Comprar ações não é uma atitude somente para aumentar nossos rendimentos. Afinal, esses já podem ser bastante elevados se soubermos investir bem em renda fixa brasileira. Comprar ações é também uma forma de diversificarmos riscos.

Se você é empregado ou servidor público, sabe que sua renda primária provém de uma fonte: o empregador, ou o ente público. Seu futuro está ligado não somente à maneira como você lidará com os desafios no trabalho, mas também à sorte de seu empregador, público ou privado.

Tanto maior será o risco (demissão na iniciativa privada, ou arrocho no serviço público), quanto menores suas fontes alternativas de renda. Como diversificamos? Por meio de alugueis, juros, pequenos empreendimentos próprios e, por que não, Ações na Bolsa de Valores.

Mesmo se já formos donos do próprio negócio, por que não ser também dono de um pedacinho de outros negócios? Negócios grandes, explorados profissionalmente por empresas experientes capacitadas para isso?

Eduardinho, você conhece alguém que ficou rico com Ações?
Eu mesmo tenho um bom fluxo de dividendos, mas conheço de perto, ao menos uma história de quem literalmente enriqueceu: um senhor português que comprou há cerca de 10 ou 15 anos algumas ações da atual Ambev. Ele faleceu há 2 anos e, no Inventário, somente essas ações passavam bem de 1 milhão de reais.

Em outro artigo, já ensinamos o básico sobre como começar a investir na Bolsa de Valores:

  • Como abrir conta em uma corretora (se você já investe em Tesouro Direto, provavelmente tem uma);
  • Como usar o home-broker para emitir ordens;
  • O que fazer com os dividendos enquanto eles forem minúsculos e não servirem para adquirir mais ações;

Clique e leia.

De que adianta corretora se não sei que ação comprar?

Exatamente por isso, o assunto de hoje é lhe ensinar como comprar ações ainda que seja um completo iniciante.

idéias de negócios

Os ETF (fundos de índice)

Eu poderia repetir aqui o mantra dos educadores financeiros: “o iniciante e o leigo devem comprar somente ETF”.

ETF são fundos que investem em ações conforme a participação dessas em algum índice. No nosso caso, Ibovespa. Assim, a sua variação diária tende a seguir o índice da Bovespa.

Eles oferecem vantagens ao iniciante, pois são intrinsecamente diversificados e não demandam qualquer conhecimento específico do investidor.

Warren Buffet, um dos maiores mitos do value investing (investimento fundamentalista), certa vez foi perguntado sobre qual conselho sobre investimentos daria a Lebron James, jogador de basquete. Veja o que Buffet disse:

…pelo resto de sua carreira e até mesmo depois, em termos de poder de rentabilidade, apenas faça investimentos mensais em algum fundo de índice (ETF) de baixa taxa de administração.

Mas Buffet mora nos EUA, não é verdade? Se eu morasse lá, talvez colocaria alguma parte da carteira em piloto automático com Fundos de Investimento atrelados ao Índice. Índices de lá, claro (Dow Jones ou S&P 500).

Mas a verdade é que os ETF nunca me atraíram, sem prejuízo de poderem ser atraentes para você, aí sugiro que comece por eles. O Ibovespa está bastante abaixo de sua linha de tendência de longuíssimo prazo (15 anos) e as chances de uma considerável alta nos próximos anos é boa.

Isso justifica não somente investir em ações individuais, mas opcionalmente investir no índice. Por isso, você pode comprar ETF isoladamente, ou em conjunto com outras ações (como se uma ação fosse, uma carteira com ETF + Ações, o que aí já passa a parecer interessante). Mas ETF sozinhos, não gosto.

Alguns dos meus motivos para não achar ETF a melhor opção inicial são extremamente subjetivos e pessoais, mas vou compartilhá-los:

 

Perda dos incentivos fiscais

Existe uma série de incentivos para o pequeno de investidor ingressar na Bolsa. Uma delas é a isenção do imposto de renda para ganhos líquidos com ações nos meses em que o total de vendas realizadas não exceder 20 mil reais. O ETF não tem essa isenção.

Outra perda está nos dividendos recebidos. Quando você recebe diretamente os dividendos das ações, eles são isentos de IR. Porém, quando seu ETF os recebe, eles permanecem dentro do fundo e, no dia do resgate de suas cotas, serão tributados normalmente.

Isso tudo significa “abrir mão” de cerca 15% de sua rentabilidade o que torna a opção muito desvantajosa no longo prazo.

 

 Informações: excesso e falta, ao mesmo tempo

Para mim, se você compra ETF, pode ficar apegado ao noticiário geral, que possui uma infinidade de notícias importantes e, ao mesmo tempo, de balelas. São tantas balelas que às vezes encontramos notícias conflitantes entre si, não apenas no Brasil, como no exterior:

contradição
A 1ª notícia fala que o índice voltará ao seu nível máximo de todos os tempos. A última, fala que os gráficos confirmam a tendência de queda.

Não ria do site acima, os portais brasileiros de finanças e investimentos são INFINITAMENTE piores. Tem gente GRANDE que até copia artigo alheio (como já copiaram artigo nosso, sem dar o crédito… talvez esses artigos copiados sejam as únicas coisas boas que alguns colocam no ar).

Se, por um acaso, você conseguir separar as notícias importantes das balelas, o problema continua: são muitas notícias e descobrir o real impacto de todas, ao mesmo tempo, sobre o índice geral seria muito complicado. Você teria que:

  • Saber todos os fatos;
  • Entender todas as relações.

Temos que simplificar isso. Vamos ao famoso método K.I.S.S. (keep it simples, stupid).

 

E a falta de informações?

A falta de informações é o outro lado da moeda. Como você não acompanhará todas as informações, o mais provável é que não acompanhe nenhuma. Você tende a considerar o investimento no ETF como um investimento no piloto automático: logo, não precisa buscar conhecimento no assunto (para quê?).

Essa diversificação “total” dá também a falsa noção de segurança “total” e de que não é preciso tomar conta dos investimentos.

Enfim, você tende a olhar essa parte do seu investimento como alguns brasileiros veem os bens públicos: “se é de todos, não é de ninguém”. Por isso, se você tem todas as ações, é como se não tivesse nenhuma e nenhuma informação específica sobre o assunto precisa buscar.

 

A verdade sobre diversificação

Bom, se você nunca saiu da renda fixa, comprar 1 simples lote de ações de qualquer que seja a empresa, é diversificação. A diversificação entre várias ações (diversificação interclasse) é um passo intermediário, para quem já investe com consistência na Bolsa. Se você não investe, ao comprar 1 simples lote de qualquer ação, já estará diversificando bastante sua carteira.

Diversificação, vista desse modo, é uma questão de ponto de vista, não acha? Para quem não tem ações, ter uma já é grande diversificação.

 

A verdade sobre concentração

Bom, o pior é que os ETF também podem significar concentração. E uma concentração na qual você não tem poder de decisão (apenas pelo critério de volume de negociações) não é algo interessante.

O DJ (Dow Jones Industrial Average) possui essa composição. Veja que são necessárias 4 ações para se alcançar 20% do índice.

No Brasil, em janeiro de 2010, a Petrobrás e a Vale (empresas que têm frequentado o noticiário negativo ultimamente), somadas, compunham 24% do Ibovespa, ou seja, um quarto do índice.

E hoje? A concentração diminuiu e você pode ver a composição no site da Bovespa.

Mas, como o índice é dinâmico, amanhã pode se concentrar novamente e a tal diversificação não ser tão grande como se imagina ao comprar ETF de olhos fechados.

segurança

O guia do iniciante na Bolsa de Valores

Mas então, como comprar ações?

Então vejamos os princípios que você deve buscar:

  • Simplificar sim, mas evoluir levando o seu tempo;
  • Diversificação sempre é bom. Mas comprar 1 só Ação, como eu disse, é diversificação suficiente para o iniciante;
  • Ater-se aos níveis mais altos de governança (já veremos o que significa);
  • Sentir-se sócio, ter a sensação de compartilhar um futuro com aquela empresa (os americanos comparecem às Assembleias anuais em que as empresas demonstram seus resultados. Já os brasileiros…);
  • Começar com bem pouquinho e… continuar pouquinho por um bom tempo. Afinal, não devemos ter pressa.

Com base nos princípios, já temos como elaborar um método passo a passo para começar a investir em ações:

 

 Compre 1 lote só

Compre um lote só. Ou seja, em geral, 100 ações de uma empresa, o que dará algo na faixa de 2 mil reais. Isso:

  • Já é diversificação para quem só investe em renda fixa;
  • É o primeiro passo para você se sentir sócio de algum empreendimento. Você passará a buscar informações sobre aquela empresa específica, sobre aquele mercado específico e sobre ações em geral (em vez de ficar sossegado como quem compra ETF);
  • Com 1 lote, você “garante o seu ingresso” no rol de acionistas e ganha tempo para entender melhor como funciona o mercado, como se apuram ganhos (e impostos), o que vale a pena e o que é “enrascada”.

No início dos anos 2000, eu “investi” de mentira uns 6 meses no simulador de Bolsa do Folhainvest, até começar a investir de verdade. São 2 coisas que você pode fazer de maneira simultânea: comprar 1 lote de verdade e investir “muito mais”, de maneira fictícia, em algum simulador de Bolsa durante algum tempo, para aprendizado.

 

Escolha da corretora

Corretoras são como supermercados. Oferecem alguns produtos baratos, que são usados em suas propagandas, e os demais são mais caros. Afinal, têm de lucrar.

Como você vai começar investindo pouco, escolha a que não cobre taxa de custódia, ainda que suas outras taxas sejam mais caras. Por que? Porque a corretagem incide só na compra (e venda), ao passo que a taxa de custódia é cobrada todo mês. Para você entender, a taxa de custódia é como se fosse uma taxa de manutenção de conta dos bancos.

Como você só comprará 1 lote de ações, transferir R$ 6,90 todo mês para cobrir a despesa de “manutenção da conta” seria muito trabalho.

Mas a corretora precisa ser séria? Não se preocupe com isso, existem muitos mecanismos de segurança para o pequeno investidor. Escolha alguma após uma pesquisa simples pela internet. Qualquer corretora habilitada na BMF&Bovespa é segura para o que você vai fazer (investir pouco).

Preocupe-se com custos: elimine a taxa de custódia. Abra uma conta digital e elimine o gasto com TED/DOC. Gaste só corretagem e impostos. Do contrário, seu custo pode ficar relativamente alto (já que sua carteira será muito pequena por enquanto).

 

Comprar ações e se sentir sócio

A empresa fabrica algo que você odeia, ou atua em um setor que definitivamente não lhe agrada? Não comece investindo nela. Talvez o melhor seja nunca investir nas Ações dessa empresa, mesmo que ela se valorize muito.

Em outras palavras, não compre apenas uma empresa, compre uma ideia. Os americanos fazem isso quando compram ações da Google, da Apple, etc.

Enfim, eu acredito você só está perdido quando não tem um plano. Da mesma forma, creio que as empresas só estão “perdidas” quando não têm um. Se sua empresa tem uma visão de futuro clara, um plano de negócios, ela já se torna uma boa candidata à sua carteira.

E se a realidade for diferente do que ela planejou? Não tem problema, a realidade quase sempre é diferente dos meus planos. Mas, como eu tenho um plano, sempre o adapto ao que a realidade me impõe. Assim, eu sempre tenho um plano a seguir. Isso é o que importa e que dá força.

 

Os 2 fatores finais para a escolha de sua 1ª ação: a governança e os lucros

Mesmo sendo iniciante, você entende que existe o risco do negócio.

Lucros

Assim, se a empresa vender mais, ou vender menos, isso você entende que afetará seus investimentos. Então, o meu conselho para você escolher sua primeira ação é que ela tenha tido lucro nos últimos cinco anos. Preferencialmente, lucros crescentes. Porém, os lucros crescentes não são uma exigência diante da crise pela qual o país passa. Em vez de crescentes, busque apenas lucros consistentes, ainda que estejam estabilizados ou tenham sofrido uma ligeira queda.

Governança

A outra questão que você ainda não entende, por enquanto, é a governança. A importância dela nós ainda explicaremos. Por enquanto, apenas assuma que é algo a que se tenha de prestar atenção.

Assim, dê preferência a empresas do chamado Novo Mercado, a menos a empresa que você tenha escolhido seja notoriamente: sólida, transparente e grande o suficiente para ser improvável sua aquisição por outra.

Se sua escolhida atender a esses três critérios, então você pode investir em alguma que não esteja no Novo Mercado.

Como saber quais empresas do Novo Mercado? Acesse esse link, no meio do texto, clique na aba “Segmento” e na lista, escolha “Novo Mercado”. Lá há também outras opções de níveis altos de governança.

Conclusão

Espero que agora você esteja apto a comprar seu primeiro lote de ações.

Se quiser começar a se aprofundar no tema, em nossa página sobre livros de investimentos há um link para baixar o e-book gratuito que a CVM criou para orientação dos investidores.

Não se preocupe se seu lote pioneiro de ações cair 5% ou até mesmo 10%. É apenas um lote e isso o faria cair de aproximadamente R$ 2000,00 para R$ 1800,00. Além de essa variação ser passageira, você pode considerá-la como custo temporário do conhecimento.

Invista bem pouquinho. O importante é começar.

Boa sorte e até a próxima!

Mais sobre os assuntos: ,

author-photo

Eduardinho é Auditor da Receita Federal e educador na área de Finanças Pessoais. Criador do método Carteira Rica de enriquecimento, o autor compartilha suas dicas neste blog e vai ajudar você a transformar o modo como lidar com seus investimentos.