como investir na bolsa

Como investir na Bolsa: aprenda com o Chefe da S&P

Hoje nós aprenderemos como investir na Bolsa de Valores  com um método tão simples que absolutamente qualquer um pode colocar em prática, mesmo que não entenda nada de finanças corporativas (interpretação de balanços e indicadores fundamentalistas ou técnicos).

A estratégia para investir em Ações

A estratégia é chamada de “Rotação de Setores” e é usada há mais de um século. Porém, tornou-se mais conhecida em 1996, quando Sam Stovall publicou o clássico Sector Investing, detalhando como usar os ciclos do mercado a seu favor, de uma maneira acessível a qualquer um.

Basicamente, a estratégia consiste em adquirir Ações conforme o cenário econômico do momento, trocando-as por outras, conforme o ponto do ciclo econômico em que o país se encontrar a cada momento (qualquer semelhança com tudo o que defendemos aqui no Carteira Rica não é mera coincidência).

Quem é Sam Stovall?

Stovall foi por muitos anos estrategista chefe da Standard & Poors e atualmente lidera a CFRA.

Várias formas de investir na Bolsa

O que mais existem são estratégias e filosofias de investimento na Bolsa de Valores.

A forma de investir simples demais para ser boa

Algumas filosofias defendem que seria inútil buscar um ganho superior ao chamado ganho de mercado (o índice geral das Ações). Essas correntes costumam ser voltadas para o investidor completamente leigo e defendem que ele invista de forma simples e passiva: adquirindo ETF.

O principal problema é que essa ideia de adquirir ETF foi importada dos EUA por educadores financeiros brasileiros sem levar em conta que aqui existem vários benefícios fiscais para o investidor pessoa física e que acabam tornando o investimento em Bolsa por meio de ETF desvantajoso e recomendável apenas por aqueles que têm pouquíssimo capital para investir, algo como somente mil reais.

Além disso, o principal ETF é o que segue o índice e, se você o adquirir, obviamente seu retorno será o chamado retorno de mercado e nada mais (quer dizer, um pouco menos, dadas as taxas de administração).

Já criticamos a estratégia de ETF em nosso artigo sobre como comprar ações. Nesse mesmo artigo citado, explicamos o que são ETF, fundos de que investem em ativos que componham determinado índice, que pode ser o Ibovespa ou outros índices amplos, ou índices setoriais.

A forma complexa demais para a maior parte das pessoas colocar em prática

No lado oposto, existe uma maneira “cirúrgica” de investir em Ações: realizando stock picking, ou seja, escolhendo essa e aquela Ação que se mostra mais promissora para o futuro e que, ao mesmo tempo, o mercado não tenha percebido isso.

Veja bem, não basta que haja uma expectativa de bons resultados futuros para a empresa, é necessário ao mesmo tempo que o mercado não tenha percebido isso, só você, pois, do contrário, a ação já estará tão cara que não valha mais a pena adquiri-la.

É exatamente esse ponto que faz a estratégia de seleção pontual de Ações mais difícil do que parece, ou do que as pessoas imaginem.

Para realizar um stock picking vencedor é obrigatório seguir um método, pois nesse campo, nada é trivial. Cuidado também com aqueles que disserem que “basta escolher boas pagadoras de dividendos”, “basta escolher Ações baratas”, “basta escolher empresas de alto crescimento”, pois todas essas estratégias, simplificadas dessa maneira, podem levar o investidor a cair em armadilhas (normalmente levam).

A Rotação de Setores

Mas então, como investir na Bolsa sem ser um expert em finanças corporativas e sem ficar amarrado ao Ibovespa?

Uma das saídas, aquela proposta por Stovall, é o método de Rotação de Setores.

Quais são os setores econômicos em que todas as empresas devem ser, necessariamente, classificadas? O padrão internacional é dividido em 11 setores, o GICS da MSCI, já a S&P de Stovall dividia em 9 setores, ao passo que a divisão adotada pela Bovespa é um ligeiramente diferente, com 10 setores, e você pode ver aqui o enquadramento de cada empresa:

  • Bens Industriais,
  • Consumo Cíclico,
  • Consumo Não-Cíclico,
  • Financeiro,
  • Materiais Básicos,
  • Petróleo e Gás,
  • Saúde,
  • Tecnologia da Informação,
  • Telecomunicações e
  • Utilidade Pública.

Como você sabe, a economia funciona em ciclos de expansão (crescimento) e retração (crise), que se alternam de tempos em tempos (essa é a premissa básica de que partimos, é essencial estarmos de acordo quanto a isso).

Se você quer saber mais sobre ciclos econômicos e entende inglês, pode assistir ao vídeo abaixo (há legenda em espanhol, caso queira)

 

A tese defendida por Stovall, portanto, é de que diferentes setores econômicos possuem performances distintas em cada estágio do ciclo econômico.

Basicamente, os ciclos econômicos são divididos em 4 estágios:

  • Recessão plena
  • Sinais de Recuperação
  • Crescimento pleno
  • Sinais de Recessão

E, considerando que o mercado se adianta a cada fase do ciclo econômico (isso é importante que você saiba, pois as Ações começam a subir antes que a recuperação se inicie e começam a cair antes que a recessão se instale), Stovall desenhou o diagrama básico de como comprar Ações ideais para cada momento da economia:

sector rotation

Descrevendo a figura acima, ocorre o seguinte: a curva verde descreve o ciclo econômico e a curva vermelha, o comportamento do Mercado de Ações (que se antecipa ao ciclo). Na barra superior, estão os ramos de empresas que você deve ter em mãos em cada fase.

O aspecto mais interessante e quase nunca comentado é que o gráfico é uma informação de “mão dupla”, já que, em princípio, tanto você pode adquirir ações conforme o cenário econômico desenhado em determinado momento (partir da Economia para se chegar às Ações em que investir), quanto você pode fazer o caminho contrário, encontrando o momento do ciclo econômico pelo qual passamos, partindo de quais setores estão obtendo melhor resultado em Bolsa de Valores no momento em que você realizar a análise (partir das Ações para se chegar à Economia).

Investir em setores da Bolsa Brasileira

índice bolsa de valores

Nesse gráfico, comparamos o PIB (verde, com eixo à direita) com 3 diferentes índices setoriais (Financeiro, Materiais Básicos e Utilidades, com eixo à esquerda). Não pudemos realizar um estudo mais abrangente porque o índice UTIL, por exemplo, existe há pouco mais de 5 anos (ao passo que o IFNC existe há mais de 10 anos).

As duas fases da economia brasileira que podemos detectar, conforme a curva do PIB, são early recession (sinais de recessão) no início de 2013 e full recession (recessão plena) em meados de 2015.

Conforme a estratégia da Rotação de Setores, dentre os melhores setores para os sinais de recessão (early recession) estaria o de Utilidades e Telecomunicações (para se ter durante 2013), passando-se para o setor Financeiro quando se chegasse à recessão plena. Lembrando que o UTIL é formado por empresas elétricas, de água e gás.

Conjuntamente com o setor Financeiro,  o investidor deveria migrar para o Consumo Cíclico e, em seguida, para o de Materiais Básicos.

O que gráfico diz

Avaliar a teoria diante da análise do gráfico que traçamos acima, porém, é tarefa bastante difícil.

O motivo é que em 2012/2013, o setor UTIL teve performance péssima na Bolsa de Valores porque, justamente nessa época, a presidenta Dilma resolveu alterar as regras de concessões elétricas, causando a queda não apenas das concessionárias elétricas (que integram o UTIL), mas em concessionárias em geral (também água e gás). Por esse motivo, o setor de Utilidades se saiu tão mal quando se esperava que saísse bem.

Fonte: http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/foi-dilma-que-fez-eletricas-perdem-quase-r-40-bilhoes-na-bolsa/

Em 2016, na recessão plena, a teoria nos manda investir nos setores financeiro e de consumo cíclico (ICON). Dessa vez, a teoria se confirma e o setor financeiro é um dos que se saem melhor dentre os 3 analisados. Só perdeu para o setor UTIL porque esse estava subvalorizado desde a atitude espalhafatosa que o derrubou em 2012. O ICON (índice de consumo), que não consta de nosso gráfico, também teve boa performance em 2016.

 

Seguindo a teoria, assim que a economia desse sinais reais de retomada, o setor de materiais básicos tenderia a se tornar interessante (IMAT). Veja uma tabela dos setores segundo a estratégia do Stovall:

ciclos econômicos e setores

 

Já havíamos comentado em outros momentos sobre ciclos de 3 a 4 anos, o site StockMarket também detectou que os ciclos tendem a ter essa duração:

ciclos econômicos

Considerações finais

  • Em primeiro lugar, gostaria de ressaltar que não uso a estratégia de Rotação de Setores isoladamente (até por se tratar de uma estratégia top-down), mas apenas como parâmetro para nortear minhas proporções e alocações (ou seja, uso-a para balizar quanto em cada Ação, mas não em quais Ações investir). Para selecionar, dou prioridade a estratégias bottom-up (que partem de empresas e seus indicadores para selecionar investimentos).
  • Em segundo lugar, é necessário lembrar que toda estratégia tem seu risco. Todos os setores possuem o risco governamental, e o setor elétrico sofreu intensamente esse risco em 2012 e 2013.
  • Em terceiro lugar, as próprias expectativas do mercado de o Brasil poder retomar crescimento podem ser frustradas ou atrasadas por diversos fatores políticos e econômicos.

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Eduardinho é Auditor da Receita Federal e educador na área de Finanças Pessoais. Criador do método Carteira Rica de enriquecimento, o autor compartilha suas dicas neste blog e vai ajudar você a transformar o modo como lidar com seus investimentos.