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Dólar: Veja a cotação e aprenda a usá-lo contra a inflação

Não está sendo fácil para o brasileiro comum voltar a investir em Dólar.
Nosso passado é marcado por vários movimentos de pêndulo:

  • Uso da moeda americana como reserva de valor e indexador perante a inflação na década de 80 e início de 90,
  • Abandono do hábito de comprar Dólar nos anos 2000, durante o boom das commodities;
  • Reacendimento da paixão por esse ativo durante a crise fiscal brasileira com início em 2014.

Conheça nesse artigo um pouco mais sobre as oportunidades e riscos que comprar dólar pode trazer.

  • Cotação Dólar
  • R$ 3,3
  • Em 17/12/2017
  • Atualizada diariamente
  • Conversor de moedas e
    gráfico em tempo real,
    no site Cotação Dólar Hoje
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A maldição da fartura brasileira

Toda bênção traz consigo algum revés. O Brasil é um país abençoado por Deus e bonito por natureza. Na parte do “abençoado” estamos colocando sua fartura em minério de ferro (com as maiores jazidas mundiais), da terra fértil e do clima adequado para plantação de cana, eucalipto, café, laranja e soja, por exemplo.

É tanto bem para exportar in natura (do extrativismo e da agricultura, setores primários), que o brasileiro não precisa erguer indústrias de ponta e desenvolver alta tecnologia.

Para quê isso, se aqui a riqueza brota do chão? Mas não é por falta de vontade, é porque essa fartura diminui a competitividade de nossos produtos industrializados.

Bresser Pereira, ex-ministro do FHC, definia essa condição como “doença holandesa“, pois o excesso de exportações do setor primário gera uma valorização tal da moeda do país (com a abundante entrada de dólares via exportação) que seus produtos não alcançam competitividade, havendo a desindustrialização e a quase impossibilidade de se exportar outra coisa que não sejam essas matérias-primas.

Em outras palavras, o valor do dólar tende a estar abaixo do ideal nessas economias, gerando boas oportunidades de compra para longo prazo nos tempos de benesse.

Sempre abaixo?

Nem sempre. Sempre que as commodities (de comportamento cíclico) que esses países exportam estão em fase de alta isso ocorre. Mas quando a situação reverte, tudo muda de uma vez só.

Quando há uma crise mundial e todos pensam que não precisarão mais de insumos, ou ocorrem outros fatores que tornam os países em desenvolvimento locais de alto risco para o estrangeiro aportar seus dólares (pelo menos na percepção deles há esse risco), o Dólar então dispara.

Quando a cotação do Dólar dispara, leva a inflação junto e causa um círculo vicioso de desvalorização do Real x Dólar que só acaba depois que o preço do Dólar passou há muito do seu valor de equilíbrio.

Não é à toa que o estrangeiro prefere liquidez ao investir no Brasil: faz carry trade (toma dinheiro emprestado a baixos juros lá fora e investe aqui a altas taxas de juros na renda fixa, sem travar uma cotação do dólar futuro para a volta, embolsando a diferença de taxas) em tempos normais, leva o dinheiro de volta correndo nas crises e volta para cá quando as nuvens parecem clarear.

Brasileiro vive de dólar turismo

Enquanto os gringos fazem ganhos com a taxa de câmbio, o brasileiro comum só pensa na cotação do dólar turismo: quer viajar para Miami e comprar pichuchus para decorar a casa, quer importar coisas inúteis de qualquer lugar do mundo.

Claro que esse não é o seu perfil, pois as estatísticas dos leitores em nossa planilha de gastos online mostram que você, sim, é um grande poupador. Então não se preocupe, estou falando do seu vizinho, aquele exibicionista.

Você quer mesmo é aprender uma forma de ganhar dinheiro investindo em Dólar, não é verdade? Então vejamos as vantagens que você pode obter com isso.

Vantagens do Dólar no longo prazo

As vantagens de investir uma parte do dinheiro em moeda estrangeira, geralmente o Dólar, são várias:

  • Proteção contra a inflação interna no longo prazo;
  • Manutenção do seu poder de compra internacional, caso tenha o hábito de ir ao exterior ou adquirir produtos importados no Brasil (mesmo que não adquira, vale lembrar que vários produtos nacionais depende de insumos importados);
  • Aumento da diversificação da carteira de investimentos, com conseqüente diminuição de riscos;
  • Ampliação gigantesca das oportunidades de investimento;
  • Possibilidade de realizar ganhos inesperados;
  • Investimentos em moeda estável;
  • Possibilidade de começar a investir com pouco dinheiro (isso mesmo, você não precisa de milhões para investir em dólar, mas é claro que com apenas mil reais também não dá. Com cerca de 15 ou 20 mil reais já dá para fazer bastante coisa).

Vejamos algumas vantagens em pormenores:

inflação das moedas

Comprar Dólar e se proteger da Inflação

Novidade, algo de que você nunca ouviu falar: a inflação brasileira é maior que a dos países desenvolvidos (estou sendo irônico).

Com o tempo, toda moeda vai perdendo poder de compra, isso é fato. Mas umas perdem mais rápido esse poder do que outras e o Real é justamente uma moeda que costuma perder valor bem rapidamente.

Você pode ver que outras moedas também perdem valor, mas muito mais devagar e, se você fizer investimentos razoáveis lá fora (em vez de apenas comprar a moeda e guardar debaixo de seu colchão), é quase certo que, com o tempo, seu dinheiro ampliará o poder de compra. Se você mantiver Reais em mãos, já não podemos dizer o mesmo.

Mas você deve estar perguntando: mas o importante não é a taxa de câmbio? Claro que sim. Mas à medida em que o Real vai perdendo valor internamente, não se iluda, ele também perde valor lá fora. E no longo prazo, você vê o efeito disso ocorrer.

Comprar Dólar e diversificar a carteira

Você já ouviu falar da importância da diversificação, para redução dos riscos. Nesses dois gráficos abaixo mostramos um comparativo entre o índice Ibovespa e o Dólar (código USDBRL) em dois períodos distintos, sendo que, em um deles o Dólar ganha e, no outro, a Bovespa anda melhor.

  • Dólar x Ibovespa
  • Dólar

Ao diversificar, você aumenta as chances de um cenário de ganha-ganha, em que você neutraliza as perdas de um ativo com os ganhos em outro ativo.

Obviamente que para haver sobre-ganho nessa compensação, a receita não é comprar metade de cada e pronto. Aliás, se os ativos possuem comportamentos opostos, nesse caso o ganho de um não seria anulado pelo outro?

Aí é que entram dois fatores essenciais de que talvez você não se lembre nesse momento:

  • A  alocação de ativos (aqui você vê um livro a respeito) que achamos mais eficiente é a tática. Em outras palavras, a estratégia de diversificação e reequilíbrio de carteira que recomendamos não é automática (o que seria mais fácil, concordo), mas baseada em cenários macroeconômicos (mais difícil, porém, mais eficiente).
  • Dê preferência a investir em um ativo vinculado ao Dólar, não simplesmente adquirir a moeda.

Com essas duas regras, você realiza todo o potencial da diversificação e incrementa os ganhos de sua carteira no longo prazo.

 

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Eduardinho é Auditor da Receita Federal e educador na área de Finanças Pessoais. Criador do método Carteira Rica de enriquecimento, o autor compartilha suas dicas neste blog e vai ajudar você a transformar o modo como lidar com seus investimentos.