energia solar

Retorno de 20% ao ano? Veja um estudo de caso de Energia Solar

Esse é um Guia Completo sobre Energia Solar Fotovoltaica, escrito após ler e condensar diversos artigos a respeito E realizar orçamentos. O mais importante, talvez, seja tratar-se de opinião isenta sobre o investimento, já que os demais artigos na internet são escritos por empresas do ramo (o que sempre nos deixa com uma pulga atrás da orelha a respeito das conclusões de indicação).

Recomendo a leitura do artigo mesmo que você more de aluguel ou em um apartamento, pois hoje a geração de energia (on-grid) pode ser remota. Ou seja, você pode instalar na casa de seus pais, por exemplo, e consumi-la na sua própria casa a centenas de quilômetros de distância, desde que ambos estejam na área da mesma concessionária de energia.

Atenção. Se você quer adquirir energia solar pelo menor preço do Brasil, participe de nossa compra coletiva sem fins lucrativos e nos ajude a fazer volume para negociar com os grandes fornecedores. O objetivo é economizar até R$ 1.000 em cada valor individual, tornando o investimento ainda mais atrativo.

Clique aqui para acessar o tópico no Capitool, participar da discussão e, se quiser, manifestar interesse (de qualquer forma, cadastre-se no Capitool, pois nossos debates sobre investimentos agora serão lá!) e, caso tenha interesse, deixe seus dados por lá.

Requisitos? Ter de 10 a 14 mil reais (valor de um sistema – é possível financiamento) e interesse real em adquirir caso se apresente uma oportunidade vantajosa.

Dado o recado, vamos ao artigo. Use os links abaixo para navegar, mas recomendo que separe o tempo adequado para ler absolutamente tudo.

 

Introdução

Quando pensamos em retorno sobre um investimento, vem logo à cabeça um fluxo de entrada de dinheiro. A ideia de estancar uma saída de caixa (eliminar uma despesa) é inconscientemente mal recebida, pois já pensamos logo que teremos que fazer algum esforço para economizar.

Mas avise logo ao seu id (inconsciente) que não é isso que ocorre com o investimento em energia solar fotovoltaica. Com ela você corta uma despesa (conta de luz) sem precisar se privar de nada. Só terá que se treinar para entender que uma despesa a meno equivale a uma receita a mais.

Repita isso 100 vezes até o inconsciente aprender, garanto que não é fácil ter essa percepção, principalmente para o brasileiro. O quanto você gasta é exatamente tão importante quanto o que você ganha. Se ainda estiver difícil de introjetar, imagine que você continue pagando a conta de energia e, ao mesmo tempo, receba um cheque mensal no valor dela. Agora deve ter ficado mais fácil.

Superado esse preconceito, como eu havia comentado nesse vídeo, com a taxa Selic a 7% 2018 desponta como o ano dos investimentos alternativos. Por isso eu resolvi dar uma estudada séria na energia solar fotovoltaica (não confunda com aquecedor solar).

Quando surgiu, por envolver tecnologia de ponta, a instalação era cara e o retorno financeiro não compensava. Mas o preço dos equipamentos foi caindo e, aliado à regulamentação dos sistemas on-grid e à inflação energética (aumento da tarifa de energia superior à inflação apurada), é hora de avaliar se realmente ainda devemos esperar ou se já é hora de investir (e obter retorno).

 

preços energia solar
evolução

 

Por que instalar Energia Solar?

Contribuir para o meio ambiente é uma ideia nobre, mas peça para as pessoas colocarem a mão no bolso e todas sumirão. É por isso que hoje tanto se fala em desenvolvimento sustentável, uma busca de conciliação entre retorno econômico e respeito à natureza. Logo, faremos aqui a análise economico-financeira da energia solar. Potenciais motivos a se investigar havendo intenção de adquiri-la:

Valorização do Imóvel: Mais difícil de mensurar em abstrato, porém, é certo que esse existe no momento de uma negociação imobiliária.

Retorno Direto, mensurado pela economia na conta de luz. Fácil de ser medido em termos percentuais, por meio da fórmula da TIR.

Não se engane, a energia no Brasil é caríssima. Embora a energia hidrelétrica seja uma das mais baratas em termos de geração, dentre as disponíveis, no Brasil a tarifa é cara. Veja os motivos na página 28 desse interessante slide (o slide, embora antigo, compara também tarifas com demais países).

ATENÇÃO PARA A INFLAÇÃO ENERGÉTICA

Como você deve ter reparado no gráfico acima, existe um crescimento superior das tarifas de energia em relação à inflação medida pelo IPCA. Esse encarecimento superior da energia é chamado de inflação energética.

O que ela significa? Significa que a energia encarece em termos reais com o passar dos anos e que, mesmo retirada a inflação, daqui a 10 anos sua conta de luz estará realmente maior, entendeu?

Some-se a existência isso o fato de que o governo federal deve 62,2 bilhões às transmissoras de energia elétrica, por conta dos investimentos feitos por quem renovou suas concessões antecipadamente em 2012. Isso garantirá reajustes extraordinários nas contas de energia até 2024, prazo durante o qual o governo terá que ressarci-las.

Enfim, quem não tiver como fugir pagará essa conta, assista ao vídeo e entenda.

A par desses motivos, você também deve ter pensado em independência, auto-suficiência. Mas, bom, é hora de entrarmos em algumas questões mais técnicas, para entendermos o que é independência nesse caso.

 

O que você precisa saber

Em primeiro lugar, você deve ter visto acima que mencionamos a expressão on-grid.

Existem dois tipos de instalação de energia solar:

  • On grid: A instalação é conectada à rede da sua distribuidora, quando você gera mais do que consome, transfere o excedente à distribuidora (troca-se o medidor de energia por um bilateral, que também mede a energia que você coloca na rede), quando você está consumindo, à noite, ele mede o seu gasto. Há a compensação no fim do mês e, em regra, você só paga a diferença (mais algumas coisas como taxa de iluminação pública, etc.).
  • Off grid: Essa te traz total independência. Você produz sua própria energia sem depender de ninguém e é a ideal para quem, como eu, pretende adquirir um sítio no meio do absoluto nada. Porém, como a energia nem sempre é gasta na hora em que é gerada, você precisa adquirir baterias (caríssimas), e nada ecológicas, para armazenamento.

Antes da regulamentação dos sistemas On Grid, em 2012 pela Aneel, realmente era difícil e caro instalar energia solar, pois você precisava necessariamente de um caro sistema off grid, de até 60 mil reais por instalação.

Se você está isolado do mundo, realmente a única alternativa é off grid e o que há de melhor em termos de bateria é a Powerwall da Tesla (na faixa de 7 mil dólares, instalada, nos EUA). Bom, melhor mesmo seria a Velkess Flywheel, que é ecológica. Porém, com a queda no preço do petróleo há alguns anos, o plano da Velkess de ir a mercado foi suspenso por prazo indeterminado. Em outras palavras, armazenar energia ecologicamente ainda não é economicamente viável.

Então é isso, off grid é caro e precisa de baterias, on grid é mais barato mas você tem que se submeter à ANEEL e ainda pagar algumas taxas. A taxa de iluminação em Belo Horizonte é de R$ 13,15 e você tem ainda de pagar uma taxa mínima à sua distribuidora, que é de 50kWh para padrão bifásico (30kWh para monofásico e 100kWh para trifásico).

O ideal é não colocar a taxa de iluminação pública no cálculo, pois mesmo em terrenos ela costuma ser cobrada (onde existe). Nesse caso ela vem na guia de IPTU. Porém, um imóvel edificado não conectado na rede eu não sei como o município cobra essa taxa. Atenção, ela não se refere ao seu consumo, é pela existência do imóvel, então vamos retirá-la do cálculo da rentabilidade, para não haver distorções.

Essa taxa mínima pelo uso do sistema equivale a R$ 44,10 na Cemig. Ela vem expressa, mas também pode ser calculada multiplicando 50 vezes o preço do kWh (R$ 0,8520576), já estão incluídos os impostos.

conta de luz

Compreendeu? Zerar a conta de energia não é possível no sistema On Grid, devido a essa “camaradagem” da Agência Reguladora com as empresas de energia elétrica (poderiam até cobrar um valor de acesso, mas 50kWh é demais!). Leia sobre a teoria da captura dos reguladores no Wikipedia e entenda do que estou falando. Claro que não estou falando especificamente da Aneel, mas temos que ficar de olho.

Na conta de luz acima, perceba que em vermelho está escrito bifásico, então o encargo mínimo é de 50kWh, corresponde a R$ 44,10 em amarelo. O mesmo também poderia ser calculado pelo preço do kWh, também em amarelo. Em lilás o consumo e em azul escuro a taxa de iluminação pública, que independe do uso de energia.

Se você mora no Amazonas, Paraná ou Santa Catarina, ainda terá que pagar o ICMS sobre todo o consumo, independentemente do que forneceu à rede, pois esses Estados não aderiram (até janeiro/2018) ao convênio do CONFAZ a respeito. PIS e COFINS você só pagará sobre a diferença.

Então, é meia verdade quando as empresas do setor de energia solar anunciam até 95% de redução na conta de luz. No caso da conta de luz que te mostrei, a redução máxima seria de: 1) Média mensal das contas: R$ 200,00 – 13,16 de iluminação = R$ 186,84; 2) Pagamento mínimo de R$ 44,10.

Redução máxima de conta de energia nessa família: 76,4%.

Dica: Na hora de dimensionar seu sistema fotovoltaico, pegue o histórico de 12 meses da sua conta e faça uma média, já que o consumo de energia é sazonal (varia conforme a estação do ano). Do total, retire os 50kWh que você é obrigado a consumir se for bifásico e, por último, coloque mais uns 5% já que você terá mais produtos eletrônicos nos próximos anos (pode confiar que terá).

 

Perguntas frequentes

Posso vender o excesso de energia gerada para a distribuidora ou alguém?

Não. O excesso vira crédito que pode ser usado em 5 anos. As chances são grandes de você vir a precisar deles, já que o consumo residencial está crescendo enormemente no Brasil (temos cada vez mais produtos eletro-eletrônicos – e estamos cada vez mais obesos).(Veja acima a página do Wikipedia que recomendei).

Fico livre das bandeiras tarifárias?

Mais ou menos. Vi alguns sites de energia solar dizendo que o cliente ficaria livre das bandeiras tarifárias. A verdade é que não há limite mínimo para a cobrança destas. Se você consumir o mínimo de 50kWh, ainda terá que pagar “meia bandeira”, já que o valor da bandeira é para cada 100kWh. Fonte Cemig.

Fizemos um cálculo do histórico de bandeiras desde a criação até o final de 2017 e verificamos quanto elas custaram. Veja na simulação.

Dura quanto tempo um sistema de energia solar?

Os melhores fabricantes anunciam uma perda de 0,7% de eficiência anual. Assim, com 25 anos de uso a expectativa é que você terá 80% de capacidade ainda em operação. A manutenção é a limpeza anual (simples jato de água) dos painéis. O item que precisa de manutenção constante seria a bateria, mas os sistemas on grid dispensam bateria.

O processo de aprovação do sistema

Procure a REN 482 e REN 687 da Aneel e veja essa cartilha: Cartilha da Aneel. Em primeiro lugar, não é instalar no telhado e está pronto. Você ingressará na rede e, por isso, não pode causar instabilidade no sistema, por exemplo. Então são necessários os seguintes passos para autorizar sua instalação on grid:

  • Solicitação de Acesso (por formulário próprio com a sua distribuidora);
  • Em 15 dias ela emite parecer;
  • Instalação;
  • Solicitação de vistoria (você tem 120 dias desde o parecer);
  • Vistoria (distribuidora tem 7 dias desde a solicitação);
  • Relatório (distribuidora tem 5 dias após vistoria);
  • Regularização (se houver pendências no relatório);
  • Aprovação (após vistoria final, distribuidora tem 7 dias para trocar seu relógio para bidirecional e iniciar operação on grid).

Fique atento, as possibilidades são diversas

  • Possibilidade de consumir remotamente: Você pode instalar a geração em um lugar e consumir em qualquer outro imóvel de sua propriedade, a vinculação é por CPF/CNPJ. Então você gera em uma residência e consome em outra.
  • Geração compartilhada e usos em condomínio: Com um contrato de consórcio, um condomínio você pode partilhar a energia. Como assim? Seu pai/irmão/parente vai instalar um sistema de 1,65kWp, você combina com ele de aumentarem para 3kWp e assinam um contrato de consórcio entre os dois, para distribuir a energia. Apresentam esse contrato à distribuidora e pronto, a energia gerada é dividida entre os participantes. Isso acaba com a desculpa de quem mora em um local sombreado (por exemplo, por um grande edifício) e reduz o custo, por exemplo, da mão-de-obra.

Energia solar dispensa aquecedor solar?

Não dispensa. É mais barato instalar a energia solar (para lâmpadas e tomadas) e o aquecedor solar (para chuveiros), do que aumentar a dimensão do seu sistema de geração de energia para comportar os famigerados chuveiros.

Vou construir agora, o que posso fazer?

Se você for construir agora, a dica é solicitar um projeto elétrico monofásico ao engenheiro elétrico. Normalmente os projetos eram bifásicos onde a rede é 110V por causa dos chuveiros. Então a pessoa tinha todas as tomadas 110V e apenas os chuveiros 220V (no máximo uma tomada que jamais é utilizada, conectada a 220V).

Porém, hoje é indispensável o aquecedor solar para os chuveiros e mesmo um ar condicionado pode ser ligado em 110V na energia solar, sem problemas.

Fazendo isso, instalação monofásica, você reduz a conta de energia mínima de R$44 (em MG) para R$ 25,6 (30kWh) e pode economizar ainda mais com sua minigeração de energia solar.

energia solar barata
A energia solar está cada vez mais barata.

Limitações regulatórias e oportunidades futuras

Existem possibilidades hoje disponíveis somente a empresas. A Origo Energia, por exemplo, criou uma fazenda solar em Minas Gerais e, para empresas, vende energia solar com 10% de desconto com relação à conta da Cemig (informações). O interessado não investe nem um real, apenas se compromete a adquirir a energia deles por pelo menos 36 meses e já sai poupando 10% sem colocar um tostão. Espero que essa oportunidade chegue em breve aos consumidores residenciais.

Outra trava regulatória está na venda da energia. Se não posso vender meu excedente para a distribuidora, por que não posso ao menos transferir para outra pessoa? Creio que isso possa ser regulado em breve e já tenho até em mente uma ideia de app (se quiserem desenvolver, procurem-me!) em que as pessoas trocam kWh assim como compram e vendem, hoje, milhas de cartão de crédito.

 

Vale a pena DIY e comprar painéis solares da China?

Importar o painel montado você deveria deixar fora de cogitação. O equipamento é grande e certamente não atenderia às restrições de tamanho para envio. Tente comprar algo um pouco maior na internet para ver se os Correios entregam: não entregam, você precisa de uma transportadora.

O que você pode é importar módulos FV (fotovoltaicos) e fazer a montagem de um painel DIY aqui no Brasil. Porém, os dois maiores problemas são: a qualidade final da montagem e a qualidade desconhecida do fabricante. Ou seja, a menos que você conheça bons fabricantes chineses e tenha ferramentas e uma grande experiência em corte de alumínio e metais, parece melhor adquirir painéis no Brasil mesmo.

Quais os equipamentos necessários para um sistema de energia fotovoltaica?

Lista de materiais necessários:

  • Painéis fotovoltaicos (FV). Aqui podem entrar os chineses.
  • Estrutura de fixação. Aqui você pode tentar ser o Magyver, mas eu não me arriscaria.
  • Inversor Solar grid-tie (transforma a corrente gerada em corrente alternada, a mesma das tomadas). Com relação ao sistema de segurança do inversor, já ouvi dizer na internet que aquele fusível de automóveis basta. Acredito que sim, fusível é fusível.

Com relação ao tamanho, para 1,5kWp o mínimo é uma área de 10.5 m2 (ou seja, aproximadamente 2 metros por 5). O cálculo é de 7 metros quadrados para cada kWp (exemplo: 2kWp precisam de 14 m2).

Com relação à posição, instale sempre o painel apontado o mais para o norte possível, a uma inclinação igual ao grau de latitude da sua localização. Ache aqui a sua latitude.

Em resumo: Em tese, pode sair mais barato importar da China e fazer por conta própria. Porém, “na prática a teoria é outra” e você não está brincando com uma compra de algumas dezenas de reais, mas de milhares de reais. No final, seu sistema precisará ainda ser aprovado pela concessionária de energia.

Dito isso, vamos orçar o sistema pronto e funcionando e ver se vale a pena?

 

Orçamentos de energia solar

Com base nas informações que prestei, recebi alguns orçamentos de diferentes empresas. Coloco aqui alguns deles (cada um de uma empresa diferente. Sistemas dimensionados por elas a partir de conta de luz enviada).

Todos representam o serviço completo: desde a emissão de ART pelo engenheiro, instalação e acompanhamento do trâmite junto à concessionária.

Caract. Opção A Opção B Opção C
Potência kWp 1,35 1,65 2,16
Módulos 5 6 8
Produção kWh 166 198 275
Painel Canadian Canadian
Inversor AP systems Fronius Primo 3.0
Preço R$ 10.800 12.055 20.187
Preço/kWp 8.000 7.306 9.345

 

A Empresa B apresentou o melhor custo por kWp, principalmente considerando que usa um inversor renomado e com capacidade superior à necessária (o inversor comporta até 480 kWh/mês, permitindo expansão posterior, por meio de fixação de mais painéis). Devemos atentar para o fato de que nem sempre vale a pena adquirir um super-inversor pois, se os módulos forem muito poucos, a energia gerada pode não ser suficiente para ligar o inversor.

Por outro lado, o sistema acima parece levemente superestimado, já que, como vimos, não adianta gerar 100% da energia a ser consumida se o consumidor deve, necessariamente, adquirir 50kWh mensais da concessionária. Assim, o melhor dimensionamento estaria com a Opção A.

Se a média de consumo é de 195 kWh, o sistema com o máximo aproveitamento financeiro será de (195 – 50) 145kWh. Mas lembre-se de considerar na “inflação do consumo”, ou seja, o consumo de energia por residência disparou na última década, pois estamos usando cada vez mais aparelhos.

 

Cálculos

Vistas as propostas acima, realizarei uma simulação pelo melhor preço encontrado para uma residência que consuma, na média anual, 248kWh por mês. Portanto, tal residência precisaria de um sistema que gerasse de 198kWh mensais, já que ela será bifásica e precisa consumir 50kWh da rede (se fosse monofásica, cairia para 30kWh). Com os impostos, essa conta de energia mínima é de R$ 44,10.

É premissa de cálculo uma inflação energética de 3,5% ao ano, muito otimista, já que até 2024 o governo terá que indenizar 62 bi às concessionárias fazendo reajustes extraordinários de energia.

Consideramos, ainda, que o inversor terá de ser trocado após 12 anos (a vida útil deste é de 10 a 15 anos) (o custo desse inversor hoje é de R$ 3.164,00 – Fronius Primo 3.0) e faremos a depreciação total do equipamento para um prazo de 25 anos, o que é bem pessimista, já que após esse prazo os fabricantes prometem uma eficiência de 80% dos painéis.

Consideramos, ainda, uma perda anual de eficiência de 0,7%.

Calculamos também o retorno do investimento para o “pior cenário”, um cenário de inflação energética Zero, ou seja, a conta de energia passa a crescer conforme a inflação. Nesse caso, o retorno anual seria de 16,97%.

Ocorre que essa situação acima é uma situação ótima, em que o consumo da família é elevado. Percebemos que quanto maior o consumo da família, maior o retorno sobre o investimento.

Em um caso real, conforme a conta de luz que temos em mãos (consumo médio de 190kWh) e um orçamento adequado a esse consumo (Opção A acima), o retorno sobre o investimento cai de 20% ao ano para 16,62% ao ano (com inflação energética de 3,5% aa) e 12,82% ao ano se não houver inflação energética.

 

Simulador de Energia Solar

simulador energia solar

Quer descobrir quanto você pode economizar com energia solar? Baixe nossa planilha de simulador de economia.

Veja os passos abaixo:

  1. Inscreva-se em nosso canal no Youtube (não é requisito para baixar a planilha, mas dá aquela força para continuarmos produzindo material de qualidade!)
  2. Assista ao vídeo sobre funções personalizadas (também não é requisito, mas lhe ajudará a entender como usar Planilhas G. Sheets – por favor, assista ao menos o começo – e a fazer projeções. Ao baixar a planilha do simulador, você verá que fizemos uma projeção bem parecida com a ensinada no vídeo!)
  3. Baixe o simulador nesse link.
  4. Acesse nossa discussão a respeito de uma compra coletiva no Capitool (e cadastre-se por lá para debatermos investimentos).

 

Conclusões

Todo investimento deve ser analisado conforme seu retorno esperado e os riscos envolvidos.

No caso da energia fotovoltaica, os riscos são praticamente nulos: os painéis resistem a granizo, há propostas em que instaladores que garantem 25 anos para a estrutura de fixação e os equipamentos também possuem garantia (inversores de 5 a 10 anos e painéis na faixa de 10 anos).

O outro risco, financeiro, seria a inflação energética zero ou negativa. A inflação energética negativa (energia elétrica baratear nas próximas décadas), pode ser descartada de antemão, não só pelo gargalo de produção de energia que temos quanto pelas alterações climáticas, que tornam as condições cada vez mais adversas.

A inflação energética zero também não é provável, no meu ponto de vista, já que o governo precisa devolver 62 bilhões até 2024 às concessionárias de energia, por meio de aumentos extraordinários nas tarifas.

Concluímos, também, quem quanto maior o consumo, maior o retorno do investimento. Por isso, é necessário fazer os cálculos conforme a sua conta de luz as propostas de instalação que tiver em mãos. Para residências que consomem menos de 200kWh por mês, R$ 500,00 de diferença na proposta pode significar a viabilidade ou a inviabilidade financeira do projeto.

Financiamento de energia solar vale a pena?

Percebemos, dentre as propostas recebidas, o parcelamento pela própria empresa de instalação de 3 a 4 vezes sem juros. Isso aumenta o retorno do investimento e não consideramos em nosso cálculo (quando há esses parcelamentos sem juros, você sempre deve tentar negociar um desconto para o pagamento à vista, em dinheiro).

Mas também vimos a possibilidade de financiamento pelo Santander e pelo Construcard da Caixa.

Financiar pelo Santander está fora de cogitação, os juros encontrados foram de 2,28% ao mês, superiores ao retorno do investimento, na melhor das hipóteses de 1,6% ao mês. Porém, pelo Construcard, se os juros CET forem inferiores ao retorno do investimento calculado em nossa planilha, pode valer a pena (se a Caixa oferecer juros na faixa de 12% ao ano, torna-se vantajoso). Vale a pena orçar.

 

Referências

Mais sobre os assuntos:

author-photo
Eduardinho é Auditor da Receita Federal e educador na área de Finanças Pessoais. Criador do método Carteira Rica de enriquecimento, o autor compartilha suas dicas neste blog e vai ajudar você a transformar o modo como lidar com seus investimentos.