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Fundos de Investimento: Como escolher os melhores?

A maioria das pessoas sequer sabe a diferença entre os Fundos de Investimento e os CDB. Nesse artigo nós veremos:

O que são Fundos de Investimento e Como Funcionam

Você já aprendeu conosco o que são os CDB, que são certificados emitidos pelo banco ao tomarem seu dinheiro emprestado para empregarem em suas operações.

Com o dinheiro do CDB, o banco pode fazer o que quiser: emprestar para outras pessoas, adquirir outros bancos, até pagar seus funcionários. Graças aos CDB, Bradesco, Itaú, Caixa, BB e todos os outros bancos têm recursos para emprestar a consumidores e empresas.

Já os Fundos de Investimento, mesmo os fundos de renda fixa, funcionam de maneira completamente diferente.

Um Fundo tem patrimônio próprio (na verdade é um condomínio aberto, tem até CNPJ), composto pelos aportes dos cotistas e seus recursos ficam contabilmente destacados, separadinhos do resto das obrigações dos bancos. O que o banco faz é administrar esses recursos, nos estritos limites dos seus principais documentos:

  • Regulamento: É o documento de constituição e que contém todas as regras que deverão ser respeitadas pelos administradores e cotistas. É como o contrato social de uma empresa;
  • Prospecto: É um quadro resumo com os itens do Regulamento que são mais sensíveis e importantes;

Há também a Lâmina de informações, com histórico de rentabilidade e coisas assim. Mas vamos aos itens mais sensíveis:

  • Taxas: Aqui você vê o quanto está remunerando a instituição financeira para cuidar do seu dinheiro em seu lugar.
    • Qual o valor ideal de taxa de administração? Depende. Para Fundos de Renda Fixa, qualquer valor é muito, já que você poderia (e deveria) adquirir Tesouro Direto e títulos privados por conta própria.
  • Regras de entrada e saída: Você já entrou em algum fundo que cotizava sua saída em 60 dias e te pagava em 90 dias? Pois é, existem fundos assim. Não há problema nenhum com eles, mas se você não ler as regras, pode se surpreender.
  • Política de Investimentos: Esse é o ponto crucial dos fundos, saber onde ele irá investir seu dinheiro. Muita gente “troca” a leitura da Política de Investimentos pela leitura da rentabilidade histórica do fundo. Esse é o tipo de gente que vive tendo surpresas.

Vantagens dos Fundos de Investimento

  • Liquidez: Fundos mantém, geralmente, alguma parte dos recursos disponíveis para resgates de cotas. Principalmente aqueles que investem em ativos líquidos. Por isso, embora uma liquidação na Bolsa de Valores muitas vezes leve D + 3 dias, o resgate de cotas de um fundo pode ser para o dia seguinte, já que o Fundo prevê estatisticamente um certo número diário de resgates. Se você precisar urgentemente de dinheiro, isso é uma vantagem.
  • Escala/Diversificação: Se você tem pouco dinheiro, digo pouco dinheiro mesmo para investir (abaixo de 5 mil reais), você não terá acesso a opções interessantes de investimento que não sejam o Tesouro Direto. O fundo, nesses casos, é a única opção para diversificar.
  • Fundos Imobiliários: Mesmo para investidores bem maiores, até milionários, adquirir certos imóveis comerciais é impossível, além de gerar imensa concentração de investimentos. Os fundos imobiliários, mediante taxas de administração muitas vezes (mas nem sempre) compatíveis com o que se pagaria a uma imobiliária, permitem diversificação regional e de destinação de imóveis.
De todos os tipos de fundos, o único que tenho e recomendo é o Fundo Imobiliário. Aprenda mais sobre eles aqui e conheça suas estatísticas no Grafiico.

Desvantagens dos Fundos

  • Taxas: Ao remunerar o banco com, suponhamos, 2% de sua rentabilidade, você está abrindo mão de um percentual elevadíssimo de sua rentabilidade real. Lembre-se que, descontada a inflação, 2% pode chegar a representar percentuais como 50% da rentabilidade real de seu fundo, como eu explico detalhadamente nesse artigo sobre rentabilidade real.
  • Segurança: Ao aplicar em um Fundo de Renda Fixa que, por sua vez, pode investir em títulos emitidos por outros bancos e instituições financeiras, você perde a garantia do FGC que teria se investisse diretamente nesses instrumentos. Ou seja, além de perder rentabilidade, você perde segurança (simule aplicações de renda fixa em nosso simulador de investimentos).
  • Segurança #2: Por não saber exatamente em que seu fundo investe, você permanecerá eternamente dependente financeiramente. E isso representará um risco de ter prejuízos (por más escolhas) por toda sua vida.

Tipos de Fundos

Os tipos mais conhecidos dos investidores são:

  • Fundos de Renda Fixa: Em geral aplicam em títulos públicos. Podem também adquirir títulos privados, a depender do regulamento.
  • Fundos Cambiais: Interessantes para quem quer investir em dólar por pouco tempo e com pouco dinheiro (se o tempo ou o dinheiro forem maiores do que “pouco”, há outras opções melhores).
  • Fundos Multimercado: Como o nome já diz, operam em diversas frentes. Aqui a criatividade do gestor determinará a direção dos investimentos, dentro da moldura formada pelo regulamento.
  • Fundos de Ações: Alternativa para quem quer investir em ações e tem pouquíssimo capital.
    • Só lembrando, a questão dos custos operacionais das corretoras para quem tem pouco capital é mais mito do que verdade. Suponha uma taxa de custódia de R$ 6,90, o que representa R$ 82,80/ano. Somada a duas corretagens de R$ 10 (entrada e saída da ação). O total de custos operacionais para um investimento de 1 ano com uma compra e uma venda seria de aproximadamente R$ 100. Considerando que os fundos cobram pelo menos 2% ao ano de taxa de administração, a partir de 5 mil reais o custo de um fundo e de manter uma participação direta na empresa se igualam (embora haja a questão da diversificação do fundo). Para aprender mais sobre o assunto, não deixe de ler nosso guia de como comprar ações.
  • Fundos de Debêntures: Principalmente os fundos de debêntures incentivadas (com isenção de I.R.), podem ser uma alternativa de diversificação (embora eu prefira infinitamente adquirir diretamente debêntures e evitar a taxa de administração). Lembrando que não se conta com qualquer garantia e você pode, mas não deveria se sentir seguro, simplesmente por não saber em que debêntures seu fundo aplica o dinheiro.
  • Fundos Imobiliários (FII): Os fundos imobiliários são fundos estruturados muito interessantes, já que gozam de incentivos tributários, geram uma renda passiva mensal, que pode ser usada em um plano de aposentadoria e permitem contornar grandes custos de entrada e saída na negociação direta das propriedades (imagine os gastos com corretagem, ITBI e cartório se os imóveis dos FII fossem negociados centenas de vezes). Leia mais em nosso artigo que fala sobre fundos imobiliários.
  • Outros Fundos: Existem outros fundos estruturados, como FIDC e FIP, mas que muitas vezes não estão disponíveis abertamente. Portanto, não são de nosso interesse nesse artigo.

Como escolher um fundo de investimento

Existem certos fundos em que simplesmente não invisto, por exemplo, os Fundos de Renda Fixa e os ETF. No primeiro caso porque posso investir diretamente no Tesouro Direto a partir de R$ 30 e, no segundo caso, pelos motivos que já expliquei.

Basicamente, hoje em dia, só invisto em fundo imobiliário. Mas, mesmo assim, elaborei um vídeo para explicar como eu escolheria um fundo de investimento para investir, se tivesse que fazê-lo.

Assista ao vídeo e se inscreva em nosso Canal do Youtube:

O link citado no vídeo para você consultar a carteira de seu fundo de investimento é esse abaixo:

http://sistemas.cvm.gov.br/?fundosreg

Dúvidas e Outras Questões

O que mais você deveria saber sobre fundos de investimento?

Em primeiro lugar, sobre a tributação e o chamado come-cotas (nos fundos de renda fixa e multimercado, por exemplo. Já Fundos de Ações não têm come-cotas). No site do Itaú há um texto sobre esse assunto.

O conceito da linha d’água na cobrança da Taxa de Performance.

FUNDO QUE INVESTE EM FUNDO

  • Tributação: você pode pagar imposto de renda mais do que o esperado. No caso dos fundos de fundos imobiliários, por exemplo, você perde a isenção de I.R. que teria se investisse diretamente nos fundos em que seu fundo investe.
  • Taxa de administração: Talvez você nunca tenha visto, mas o banco estrutura o investimento dos fundos como lhe convém (muitas vezes por questão de organização). Ocorre que existem fundos que aplicam em outros fundos do banco e que podem aplicar em outros fundos. Não existe limite de ramificação. Não sei se é obrigatório (algum leitor do site pode nos ajudar nisso) isentar a taxa de administração da cadeia e cobrar em apenas no último ponto, caso os fundos sejam todos da mesma instituição, embora tenha lido em alguns regulamentos que essa política era adotada naquele fundo específico.

 

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Eduardinho é Auditor da Receita Federal e educador na área de Finanças Pessoais. Criador do método Carteira Rica de enriquecimento, o autor compartilha suas dicas neste blog e vai ajudar você a transformar o modo como lidar com seus investimentos.