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Veja por que gastar o dinheiro de maneira ridícula!

Um levantamento do aplicativo Personal Capital com dados de seus usuários (americanos) apurou aquilo que todo mundo já sabia: os millennials – pessoas que nasceram entre 1980 e 2000 – possuem finanças pessoais nada exemplares e ainda têm uma compreensão inacreditável da realidade:

  • Os millennials planejam trabalhar apenas 15 anos e se aposentar;
  • Acreditam que comprarão seus imóveis por um quarto do preço que o imóvel de seus pais (mas não sabem que para isso terão que se mudar para periferias distantes);
  • Planejam gastar anualmente com viagens o equivalente a 80 mil reais (21 mil dólares!), o mesmo que deveriam poupar anualmente para conseguir seu objetivo de poupança até a aposentadoria;
  • Têm um objetivo de poupança até a aposentadoria matematicamente incompatível com o volume de gastos atuais (muito aquém do necessário).

Porém, os dados do mesmo aplicativo acabaram por revelar o motivo de eles serem tão desconexos da realidade: essas mesmas pessoas possuem uma expectativa de herança volumosa.
Portanto, o que os permite gastar de maneira ridícula o dinheiro é contar com o legado dos pais para manter um padrão de vida deficitário. Assim, pretendem tornar o matematicamente impossível em algo realizável.

Claro que não somos contra viagens, pelo contrário. Mas somos contra viagens descabidamente luxuosas.

Veja abaixo nossas dicas para não cair na armadilha dos millennials e, ao mesmo tempo, evitar a outra armadilha, aquela em que caíram os pais deles.

Qual a origem dos gastos excessivos?

As pessoas economicamente ativas vivem hoje um grande dilema e muitos estão se arruinando financeiramente ou se sentindo frustradas por justamente não conseguirem equilibrar essa difícil equação:

Priorizar a formação de riqueza pelo trabalho duro e com visão de longo prazo, OU

Aproveitar a vida da maneira mais imediata possível: queimando tudo agora!

Para ter um norte e não se perder na caminhada pessoal e profissional, você terá que equacionar tudo e definir seu próprio caminho. As perguntas que você deverá responder nesse processo estão nesse artigo. Continue lendo.
dilema financeiro

Gastar ou poupar? Razões para os dois lados

Embora seja muito fácil condenar quem se dedica à “arte” de gastar todo o dinheiro que tem (e que não tem), a raiz desse comportamento está em fatos bem concretos e razoáveis.

Negação da geração anterior

A geração anterior (os pais de quem tem hoje entre 15 e 35 anos) é mundialmente conhecida por ter se abdicado quase completamente dos prazeres que o dinheiro pudesse comprar em prol do lema trabalho duro e formação de patrimônio para os filhos.

Naquela geração, hoje em idade de aposentadoria, é comum permanecer trabalhando arduamente e até mais de 8 horas diárias, sem sequer férias, com o objetivo único de formar um bom patrimônio.

O objetivo não seria aproveitar esse patrimônio, mas deixá-lo para dar tranquilidade a seus filhos, para que esses pudessem ter uma vida mais tranquila que a dos pais.

Falta de sintonia entre gerações

Mas essa postura de renúncia própria não é vista pelos filhos como algo nobre, é visto como algo doentio. Os millennials simplesmente abominam o modo de vida dos pais:

  • “Por que tanto dinheiro se não é para gastar?”
  • “Meus pais amam o dinheiro, eu amo a vida.”
  • “Trabalhar até morrer? Deus me livre.”
  • “Melhor gastar agora. E se eu morrer antes da aposentadoria?”
  • “Aposentar-me quando eu não puder mais aproveitar a vida?”
  • “Devo aproveitar a vida enquanto jovem. A velhice, é só doença e tristeza”.

Algumas dessas expressões demonstram como o individualismo avançou na sociedade: não se pensa mais em ter filhos (afinal, custarão seu dinheiro e seu tempo) e, muito menos, em cuidar dos pais (eles são velhos, não têm mais o que oferecer). É cada um por si.

Mas outras questões demonstram um problema real e que deve ser equacionado em um planejamento financeiro pessoal.

Tenha objetivos claros

Sem objetivos claros, ou você poupará demais (e esquecerá o motivo de poupar) ou gastará de maneira ridícula.

Poupar e esquecer o porquê (geração anterior)

Assim, é crucial ter sempre claros os motivos para se fazer algo. Se você está economizando agora, por que o faz? Se você deixou de adquirir um carro superior, por que o faz? Do contrário, além de ser visto pelos outros como pão-duro, você mesmo não saberá aproveitar os prazeres pelos quais lutou, quando chegar a hora, e cairá justamente no padrão comportamental de seus pais que você discorda: a abdicação infinita.

O homem demonstra sua inteligência por ser capaz de abrir mão de uma vantagem imediata por uma vantagem futura superior (esse é o fundamento da formação de poupança). Certa vez ouvi em uma palestra:

O homem é o animal capaz de, à beira de um buraco, saber que, afastando-se da beira poderá tomar mais impulso para transpô-lo. Assim fazemos com nosso trabalho: damos esse passo atrás no presente para poder no futuro realizar o grande salto.

O grande problema está em justamente dar tantos passos para trás a ponto de se perder a visão do buraco que se pretende saltar. Nesse ponto, todo o esforço (trabalho duro mais formação de poupança) perde completamente o sentido e a pessoa esquece que seu objetivo era saltar.

Esse é o problema da geração anterior e que tornou os millennials uma geração de “monstros devoradores de dinheiro”.

Gastar ridiculamente

Por isso abundam na internet os casos ridículos em que herdeiros de grandes fortunas gastam o dinheiro de maneira anedótica e caricata. Como uma Paris Hilton.

Nem mais surpreendem >>  notícias como essa << em que um bandido é preso por tornar públicos detalhes de sua localização ao postar fotos de ostentação nas mídias sociais.

Perceba que o artigo mencionado fala claramente que os grandes chefões do tráfico de antigamente (como El Chapo, El Mayo, etc.) são altamente discretos, ao contrário de seus filhos e sobrinhos. Ou seja, gastar de maneira ridícula é um problema de geração (claro que traficantes têm muitos outros problemas…).

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Você se frustrará se não responder essas perguntas

Então, para equacionar bem a o dilema financeiro do século, preste atenção:

  • Além de objetivos financeiros, determine objetivos de fruição desse dinheiro e de tempo livre;
  • Trace objetivos de longo prazo claros, que possam ser alegados quando alguém ou você mesmo se questionar sobre o que está fazendo;
  • Tenha metas alcançáveis no curto e médio prazo, para que você possa cumpri-las e se sentir motivado (do contrário é mais fácil desistir);
  • Tenha foco e perseverança naquilo que quer.

As quatro perguntas cruciais que você deve responder para se manter firme e focado em sua jornada, então, são:


1- Para quê acumular patrimônio?

2- Quanto patrimônio eu preciso acumular para um futuro tranquilo?

3- Até que ponto vale a pena sacrificar o meu tempo para conseguir dinheiro?

4- Em que idades reduzirei minhas metas de poupança e aumentarei meus gastos discricionários?

 

Se você sabe de quanto precisa e o que fará futuramente com seu dinheiro, já tem boa parte das respostas. Se também sabe o que está disposto a sacrificar de seu tempo e prazer no presente para alcançar esses objetivos, então falta muito pouco para você estabelecer um caminho vencedor.

Com o objetivo traçado, os próximos passos serão fáceis, tome atitudes como aprender o uso de planilhas eletrônicas para acompanhar seus resultados, dedique-se mais a entender de economia e investimentos, para aprender a gerar fluxos de caixa passivos (juros, dividendos, etc.) e colocar o dinheiro para trabalhar para você com a força dos juros compostos.

Assim, você nem se frustra e nem cai no ridículo dos millennials de gastarem contando com a herança dos pais.

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Eduardinho é Auditor da Receita Federal e educador na área de Finanças Pessoais. Criador do método Carteira Rica de enriquecimento, o autor compartilha suas dicas neste blog e vai ajudar você a transformar o modo como lidar com seus investimentos.