habitos

Cultivar hábitos: o modo invisível de alcançar o sucesso

Poucas coisas são tão determinantes na vida de uma pessoa quanto seus hábitos.

É confortável pensar que controlamos 100% de nossas atitudes, mas isso não passa de pura ilusão. Na verdade, nossas decisões racionais representam somente a ponta do iceberg do imenso número de nossas ações.

A grande maioria delas são, de fato, tomadas no modo automático e é justamente uma boa configuração desses padrões, nossos hábitos, que podem melhorar nossa vida de maneira surpreendente ao longo do tempo. Ou o contrário, arruinar-nos completamente.

A parte animadora disso é que somos capazes de reprogramar esse nosso modo automático se colocarmos um determinado hábito antigo sob julgamento, ou se quisermos adotar bons hábitos.

o poder do habito

Um caso real em que os hábitos foram determinantes

Quando falamos a palavra hábito, todos pensam nos hábitos alimentares, nos hábitos de vida saudável ou em maus hábitos como fumar. Porém, vou compartilhar uma história real para aprendermos um pouco mais sobre hábitos e sua relação com produtividade e sucesso profissional.

Meu cunhado é diretor de novos produtos em uma empresa de tecnologia.

Criada em 2001, essa empresa possuía um único dono, a estrutura era de um tamanho que permitia as equipes se confraternizarem com frequência e conhecerem as vidas umas das outras e simplesmente a empresa não tinha o hábito de demitir qualquer funcionário.

Com o hábito de inovar do dono e do staff (não é à toa que têm um setor específico de desenvolvimento de novos produtos), não tardou para a empresa atender clientes fora do país e despertar o interesse de gente grande. Foi assim que a 3G Capital resolveu comprar metade dessa empresa “mineirinha”.

Para quem não conhece, a 3G Capital é uma empresa do Jorge Paulo Lemann, do Sicupira e do Telles, cujo “hábito” é adquirir outras empresas e turbinar seus lucros, principalmente por meio do seu famoso hábito de cortar agressivamente custos e por formar sinergias com os demais negócios do grupo.

Eles eram donos da Brahma. Em sua saga rumo ao sucesso, incorporaram primeiro a Antártica e, no embalo, várias cervejarias até criarem a maior do mundo. Como os donos da Budweiser (Anheuser-Busch) não queriam vendê-la para o grupo, ameaçaram fazer uma oferta hostil, “hábito” de investidores famosos como Carl Icahn.

Compraram o Burger King, a Kraft e a Heinz e não podem ver uma boa oportunidade de negócios que costumam comprar. Esteja o dono pensando em vender, ou não. Depois disso, aumentam a eficiência do negócio cortando custos desnecessários e aumentando a remuneração de quem fica, incentivando os funcionários através de bônus conforme os resultados alcançados.

Pois bem, antes, meu cunhado costumava se queixar de um de seus funcionários que tinha o hábito de chegar atrasado e de um grupo, que tinha o hábito de abrir o home-broker várias vezes durante o horário de trabalho (Você acha que não, mas os chefes percebem. Em um setor de “novos produtos”, espera-se que os funcionários dediquem seu tempo de maneira produtiva, oras).

Após a entrada da 3G, uma das primeiras atitudes do antigo dono (que continuou na presidência), foi distribuir um exemplar do livro da trajetória de como Lemann se tornou o brasileiro mais rico: Sonho Grande. Após pouco tempo, a empresa começou a perceber que estava mudando de nível e que necessário formar um time comprometido com o sucesso. Além disso, a empresa planejava abrir uma filial nos EUA para sua expansão internacional e, até mesmo, passaram a estudar a mudança de sede efetivamente para lá.

Com todas essas mudanças, um grande leque de oportunidades profissionais se abriu para os funcionários da empresa, como, por exemplo, mudar-se para os EUA (quem tiver interesse). Menos, claro, para os funcionários com hábitos incompatíveis com a nova cultura empresarial que citei, que estavam entre os primeiros a serem demitidos na história da empresa (curiosidade: a empresa é essa aqui).

Moral da história: Hábitos vencedores como os de Lemann são capazes de levar a pessoa ao sucesso, mesmo se tiver que superar um fracasso no caminho, como foi a quebra do Banco Garantia. Por outro lado, hábitos perdedores o farão fracassar, talvez sem mesmo vislumbrar um lampejo de sucesso no caminho.

Sobre o poder do hábito

Em nosso artigo anterior, armadilhas para sugar seu dinheiro, vimos como, mesmo naquelas decisões que julgamos tomar conscientemente, nossos verdadeiros motivos estão permeados de sentimentos e sugestões que nada têm a ver com a “racionalidade”.

Hoje vemos algo ainda mais poderoso na criação de nossas histórias de vida, que são nossos hábitos. Embora passem despercebidos, são nossos padrões de comportamento que nos definem a todo momento (seja em atos de compra ou de investimento, seja hábitos de lazer, alimentação ou mesmo de postura corporal).

Charles Duhigg é o autor de “O Poder do Hábito”, livro em que aborda:

  • A estrutura de um hábito (gatilho, rotina e recompensa);
  • Por que é difícil largar um hábito antigo, mesmo sabendo que é danoso;
  • Como fazer para mudar hábitos antigos.

habitos

Hábitos são invisíveis no dia a dia

Como dissemos, as pessoas costumam pensar em hábitos somente em seus reflexos:

  • Na saúde, quando temos bons hábitos como praticar exercícios físicos, ou maus hábitos como fumar;
  • Na alimentação, quando comemos verduras, evitamos açúcar e sal, ou, do contrário, priorizamos frituras e gorduras;
  • Nos relacionamentos, quando hábitos podem arruinar relações.

Mas é importantíssima a maneira como os hábitos afetam também sua produtividade. Se você conseguir substituir maus hábitos que inutilizam horas e mais horas de seu tempo, você já estará bem encaminhado par ao sucesso. Vejamos alguns exemplos:

  • Acessar Facebook no trabalho ou durante reuniões familiares ou com amigos;
  • Deixar Whatsapp funcionando durante uma aula;
  • Assistir televisão (desculpe-me, mas 90% dos programas são inúteis);

Somente o hábito da televisão, se substituído por um hábito construtivo, seria capaz de transformar a vida de milhões de brasileiros!

A importância do hábito nos exercícios físicos

Para se demonstrar a força do hábito, é impressionante vermos como o estabelecimento de uma rotina é crucial para se conseguir praticar exercícios físicos. Em outras palavras, aqueles que praticam exercícios de maneira esporádica, tendem a parar e abandonar a prática, mesmo achando-a prazerosa, às vezes. Por outro lado, aqueles que estabelecem uma rotina bem clara e pré-estabelecida de prática de exercícios, simplesmente é muito mais propensa a seguir adiante. Quantas pessoas têm academia no condomínio e não malham? E, quando se matriculam em uma academia e estabelecem dia e horário exato de ir, conseguem seguir adiante?

Isso acontece porque, ao pré-estabelecer dias e horários deixamos tudo pronto para nosso cérebro e facilitamos demais nossa vida. Por outro lado, se temos a academia à disposição em casa, pensamos que podemos malhar a qualquer hora e nosso cérebro simplesmente não consegue identificar que hora é essa (“qualquer hora”).

Depois de criados, hábitos se tornam automáticos e invisíveis.

Recentemente, compartilhei um hábito pessoal de finanças em nosso artigo sobre como ficar rico no Brasil. É o hábito da “espera de 30 dias” (ou quarentena)(o hábito foi tão bem recebido pelas pessoas que foi inspiração para artigos em outros sites!).

O hábito da “espera de 30 dias” (ou quarentena) é bem simples: Quando vemos algo que nos interessa (um eletrodoméstico, por exemplo), simplesmente não o compramos de imediato (nem nos dias seguintes!). Anotamos aquela ideia de compra e deixamos por pelo menos um mês encostado onde colocamos nossos recados.

Depois de um mês, é muito provável que o desejo de adquirir aquele eletrônico tenha passado. Muitas vezes o desejo é passageiro e não justifica a aquisição. Esse simples hábito é capaz de significativamente nos poupar dinheiro, poupar espaço (para guardar tralhas) e poupar tempo na pesquisa e na ida ao comércio para comprar algo que se mostra de pouca ou nenhuma utilidade.

Interessante é notar que esse hábito era invisível para mim até o dia em que parei para escrever um artigo a respeito e joguei luz sobre esse padrão de comportamento que estabeleci em algum lugar do passado.

Bons hábitos x Maus hábitos

É interessante descobrir como um hábito de alimentação pode alterar seu humor ou sua capacidade de aprendizado (por melhorar sua capacidade de concentração ou mesmo a memória) ou, também, como até hábitos posturais influenciam não apenas na visão que as pessoas têm de você, mas em sua própria disposição para o sucesso (ou fracasso). Veja esse vídeo interessante:

Assim, por controlarem a maior parte de nossas vidas e por provocarem resultados que às vezes nem imaginávamos que pudessem provocar, é importantíssimo fazer uma boa seleção de hábitos construtivos a adotar e uma seleção dos maus hábitos a abandonar.

Como provocar uma mudança de hábitos

Segundo Duhigg, os hábitos são disparados por gatilhos.

Um gatilho pode ser qualquer coisa: um horário do dia, algo que você vê ou ouve, e que faz seu cérebro entender que deve entrar automaticamente na rotina.

Já a rotina é um conjunto de ações que são praticadas sequencialmente (esse é o hábito do ponto de vista de outra pessoa, é o que ela vê você fazendo).

Por último, alcança-se a recompensa, que pode ser algo totalmente simbólico ou aparentemente inútil, mas é o prazer que leva o seu cérebro a buscar novamente a execução da rotina quando estiver novamente diante do gatilho.

Não ponha à prova toda sua força de vontade! Isso só levará à frustração e ao abandono da tentativa de mudar.

Simplesmente bater de frente com os hábitos que você pretende superar não é a melhor maneira de lidar com a situação.

Conhecendo a estrutura dos hábitos, há diversas técnicas inteligentes para se reconfigurar os hábitos, como, por exemplo alterar a rotina. Coincidentemente, ontem ouvi um “ex-gordo” dizer um de seus segredos para emagrecer: passou a escovar os dentes todas as vezes que sentia desejo de comer um doce.

Esse novo hábito, somado a uma nova dieta e exercícios físicos, fizeram com que ele perdesse 50% de seu peso corporal sem o uso de qualquer remédio.

Indicação de leitura

Além dos livros citados acima (O poder do hábito, Charles Duhigg e Sonho Grande, J. P. Lemann), indicamos um excelente curso >> O Poder de transformação de um hábito, do Professor Elisson <<, um dos mais experientes e didáticos educadores financeiros do país,  que nós adquirimos recentemente, em que ele ensina excelentes sacadas para você estabelecer novos hábitos vencedores e como substituir de vez hábitos limitantes e destrutivos.

O curso tem dezenas e dezenas de vídeos, é dividido em 7 etapas e é extremamente didático, como todo o material do Prof. Elisson (afinal, ele é professor universitário há muitos anos), e pode ser justamente o “empurrãozinho” que você pode usar para reprogramar seus hábitos.

Mais sobre os assuntos:

author-photo

Eduardinho é Auditor da Receita Federal e educador na área de Finanças Pessoais. Criador do método Carteira Rica de enriquecimento, o autor compartilha suas dicas neste blog e vai ajudar você a transformar o modo como lidar com seus investimentos.

5 Comentários