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IPCA com Tabela e Atualização automática: é Mágica!

O IPCA é o índice oficial de inflação no Brasil. Ele possui base mensal e é apurado pelo IBGE em várias capitais, em conjunto com outros índices e conforme uma cesta de itens (não apenas produtos, mas também serviços).

Leia o artigo até o final e veja como e porque receber em seu email um relatório de correção monetária de qualquer valor, como esse que você vê aqui

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1. O que é inflação e porque é ruim

A noção de inflação todo mundo tem: com a mesma quantidade de dinheiro amanhã, você não conseguirá adquirir os mesmos bens que hoje.
Os efeitos inflacionários são nocivos à maior parte da população, embora alguns setores possam ser mais afetados que outros.
Exemplos de efeitos danosos da inflação:

  • Empregados: A correção da tabela de Imposto de Renda em percentuais menores que os medidos pelo IPCA aumentam com o tempo a tributação sobre essa camada da população. Por outro lado, dizer que a inflação em si reduz o poder de compra do salário seria ignorar as constantes negociações salariais, que em momentos econômicos favoráveis, geram reajustes superiores à correção monetária.
  • Empresários: Nem todo setor econômico consegue repassar integralmente a inflação de seus custos para o seu preço de venda. Principalmente os exportadores e aqueles que, ainda que vendam no mercado interno, estejam sujeitos à concorrência internacional (China, por exemplo), dependeriam de a taxa de câmbio exatamente variar na mesma proporção que a inflação para não perderem competitividade (o que não acontece).
  • Investidores: A inflação é a maior inimiga do investidor e a primeira que deve ser superada. Partindo do pressuposto de que a poupança é o dinheiro que “sobra”, o simples fato de o investidor não aplicar imediatamente seu dinheiro (por exemplo, se ele está indeciso ou não tem tempo para eleger aplicações naquele momento) já inicia o processo de perda inflacionária. No final deste artigo sobre Rentabilidade do Tesouro Direto, eu explico como o próprio Tesouro Ipca, que deveria proteger o investidor da inflação, só é capaz de fazê-lo se a inflação acumulada for baixa (já que a tributação da pessoa física incide sobre a correção monetária).

Por outro lado, há aqueles que se beneficiam da pressão inflacionária, ou que, pelo menos, não sofrem tanto seus efeitos:

  • Monopólios e Cartéis: Monopólio é justamente a ausência de concorrência, a singularidade (somente um) na oferta de um bem ou serviço. O monopólio pode ser legal, ou não, conforme o modo como se constituiu (o papel do Cade é fiscalizar isso). Já o Cartel, é sempre ilegal. Ele nasce de um acordo oculto entre fornecedores para neutralizarem a concorrência e manterem determinados preços elevados. Em ambos os casos, as empresas, por serem capazes de ditar preços, não sofrem danos com um elevado índice de inflação.
  • Concessionárias de serviços públicos que, em geral, possuem em seus contratos a garantia de revisão tarifária pelo percentual da inflação.
  • Devedores: Isso mesmo! Ao contrário dos investidores, que tendem a perder com a inflação, os devedores tendem a ganhar, principalmente se a taxa de juros contratada for fixa. Veja um exemplo: você faz um financiamento imobiliário a uma taxa de 10% ao ano. Posteriormente, a inflação atinge esse patamar. O resultado é que você não estará pagando qualquer juros nesse período, apenas a correção monetária! E se você conseguir um reajuste salarial igual ou superior à inflação, sua capacidade de pagar a dívida terá aumentado.
  • Governo: Que além de receber mais impostos, por ser um grande devedor, também se beneficia dessa condição.

O lado bom da inflação

Existe um “lado bom” da inflação? Sim.
Durante os momentos de aquecimento econômico, certos preços se elevam demais. Porém, alguns deles, como os salários, são muito inelásticos “para baixo”, já que a própria legislação impede a redução nominal dos salários. A única maneira de reduzir os salários se não fosse a inflação, seria demitir os trabalhadores e contratar outros, por um salário menor, o que pode ser muito difícil.
Já em um ambiente inflacionário, basta a inércia nas negociações salariais para reduzir progressivamente os salários até o nível adequado ao novo ambiente que se formou.
E isso tudo não é uma questão de ser “bonzinho” ou “mau”, é uma questão de mercado. O empresário tem que ajustar seu custo ou vai à falência. Não é de interesse do empregado, a falência do empregador.

2. Tabela IPCA mensal e acumulado

Como usar a Tabela

Essa tabela apresenta o IPCA acumulado (na forma de índice), bem como a variação mensal.
Levando em consideração que a imensa maioria dos brasileiros não sabe trabalhar com o cálculo indireto, por meio de índices, resolvemos ensinar aqui como se usam as tabelas de correção monetária.

Tabelas Data e Fator

Vários tribunais apresentam tabelas de atualização monetária no formato que aqui apresentamos. Nesse caso, é muito simples atualizar qualquer valor: basta você encontrar na 3ª coluna da tabela o mês correspondente à quantia inicial e multiplicar esse fator pelo valor inicial.
Por exemplo: 1,13 (valor da 3ª coluna para o mês inicial) * R$ 2.000,00 (valor inicial) = R$ 2.260,00 (valor atual)
A vantagem desse tipo de tabela é dar o multiplicador “nas mãos do usuário”. A desvantagem é que a atualização até algum mês anterior ao atual exigirá do usuário a realização de cálculos. Porém, como ele não está acostumado a cálculos, sentirá dificuldades.

Índice de Inflação Acumulada

Porém, também é comum a apresentação de um índice de inflação acumulada. É exatamente como a tabela ao lado, porém, invertida.
Para fazer a atualização de um valor, você deve dividir o índice atual pelo último índice antes da data inicial e multiplicar pela quantia inicial. Falando assim, parece complicado, mas vamos ver um caso prático?
Você recebia um salário de 5 mil reais em 08/2009 e quer saber quanto você deveria receber, em 01/2016, para equivaler a esse salário naquela época. Vamos aos cálculos?
Em Jan/16, o índice acumulado desde o Plano Real era de 4,968 e em Jul/09, de 3,247. Então, faz-se a divisão do mais recente pelo mais antigo e obtém-se 1,53. Esse Fator deve ser multiplicado pelos 5 mil, e você descobre que aquele salário equivalia a R$ 7.650,00 em janeiro de 2016. Simples, não?

3. IPCA e o Investidor

juros e inflação
Para o investidor, o IPCA constitui a ameaça constante de prejuízo.
Nossos leitores, os mais esclarecidos do país, sabem que o ideal é bater o custo de oportunidade da Taxa Selic. Porém, pode ocorrer de a rentabilidade alcançada em determinados investimentos estar aquém da oferecida pela taxa básica de juros. Então, perdido o patamar “Selic” (ganhos acima do custo do dinheiro), o próximo patamar de referência é o IPCA.
Qualquer rentabilidade (líquida!) abaixo do IPCA só pode ser traduzida em uma forte palavra: prejuízo.
Isso é claro para investimentos financeiros, mas as pessoas se esquecem que também se aplica a qualquer outro investimento.

Exemplo em Imóveis

Suponhamos que você tenha adquirido um terreno por 400 mil (valor do imóvel mais ITBI, escritura e registro) em outubro de 2011. Qual é o mínimo que ele deveria valer em outubro de 2016 para que sua operação não tenha sido deficitária?
A inflação no período foi de 41,3%. Portanto, o imóvel deveria valer, líquido, R$ 565,2 mil reais.
Porém, caso você queira vendê-lo, deverá arcar com até 6% de corretagem e 15% de Imposto de Renda sobre o “ganho”. A boa notícia é que a corretagem por você suportada pode ser abatida do ganho de capital no cálculo do IR.
O cálculo para chegarmos ao valor “zero a zero” desse investimento deve ser o seguinte:
Dos R$ 565,2 mil, retiramos o valor bruto da compra, de R$ 400 mil, o que equivale a R$ 165,2 mil. Esse valor, deve ser dividido primeiramente por 0,85 (para reservar, por dentro, os 15% do IRPF), o que dá um valor de R$ 194,3 mil (são R$ 29,1 mil de IR). Somamos esses R$ 194,3 mil aos R$ 400 mil e obtemos R$ 594,3 mil.
Agora vem a corretagem, que suponhamos, seja de 6%. Então, dividiremos R$ 594,3 mil por 0,94, reservando os 6%, mais uma vez, “por dentro”.
Obtemos, assim, o valor final de R$ 632,23 mil.
O que esse valor representa?
Nesse caso, R$ 632,23 mil representa o valor mínimo de venda do seu imóvel em outubro de 2016 para que você não tenha perda alguma nesse investimento.
Esse é o cálculo para terrenos, imóveis em construção e imóveis em vacância, já que eles não geram renda. No caso de casa, apartamento ou loja prontos e locados, você deve abater desse valor final, o valor atualizado dos alugueis líquidos recebidos (o que também é simples de se fazer).

Desafios para o investidor

Com esse singelo exemplo, você pôde ver o desafio que a inflação representa para o investidor.

Renda Fixa

Em um ambiente inflacionário, a rentabilidade de seus investimentos necessita cobrir não apenas a inflação, como também os impostos sobre a inflação.
No caso da renda fixa, muita gente tem a ilusão de altos ganhos ao ver uma aplicação que renda 12% ao ano, mas se esquecem de retirar uma inflação de 10% e o imposto e não percebem que, muitas vezes, seu ganho real e líquido é próximo de Zero. Não percebem, por exemplo, que uma poupança de 6% ao ano, com o IPCA em 4%, rende muito mais que essa aplicação de 12% brutos em um ambiente como expusemos.

Bolsa de Valores

Na Bolsa de Valores, a dificuldade está na chamada Análise Horizontal. Esse tipo de análise coloca, lado a lado, receitas, despesas e lucros de um ou mais anos consecutivos e, ao não considerar a inflação do período, o investidor também pode ter a ilusão de um aumento nos lucros ou nos dividendos da empresa.

Resumindo: A inflação gera enormes desafios para o investidor e beneficia, em geral, o devedor. Por isso, ambientes inflacionários desestimulam a formação de poupança, os investimentos e a elevação do padrão de vida da população como um todo.

4. “Calculadora do Cidadão” Carteira Rica

Depois de tudo que disse, aposto que você está muito curioso para saber se os seus bens, hoje, valem mais (ou menos) do que o valor atualizado que você pagou por eles.
Aquela casa, vale mais hoje? E o seu salário, é maior, em termos reais (diferente de nominais) do que há 5 anos? Só o IPCA e nossas planilhas mágicas para lhe responder essas questões.
Então faça o seguinte. Preencha o formulário abaixo e receba um email com o valor atualizado e o gráfico temporal da quantia (valor de um bem, remuneração, etc.) que você pretende analisar.
Além disso, caso você absurdamente ainda não esteja em nossa lista de contatos, você será automaticamente adicionado e receberá esporadicamente conteúdos incríveis como esse em sua caixa de mensagens.

Atualize quantias importantes para seu controle:

E receba esse relatório em seu email:

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Atenção: Simulação disponível apenas na era “Real”, ou seja, após agosto de 1994.
Atenção: Limitado a 100 simulações/dia, que é o limite de emails free do Google Apps. Se você tentou e deu errado, tente novamente no dia seguinte.

Aproveite para ver as últimas 30 quantias que foram atualizadas por nossa ferramenta.

Após enviar sua simulação, se quiser vê-la na lista das últimas registradas, clique no botão abaixo:

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Eduardinho é Auditor da Receita Federal e educador na área de Finanças Pessoais. Criador do método Carteira Rica de enriquecimento, o autor compartilha suas dicas neste blog e vai ajudar você a transformar o modo como lidar com seus investimentos.