o fim do brasil

O fim do Brasil? O fim do mundo?

O fim do Brasil está próximo? Com certeza, assim como o fim do mundo… a falta de água é um exemplo claro disso.

Ah, você está falando da economia? Sinto muito, mas não é pelas mazelas econômicas do governo que o Brasil vai acabar, mas por alguma espécie de catástrofe ambiental. E olha que o Brasil foi muito bem servido no quesito natureza. Imagine se não fosse, como estaríamos na questão hídrica e elétrica.

Mas já que você está em um site de finanças, não quebrarei sua expectativa, falemos sobre o que deve ocorrer nos próximos anos com o bolso dos brasileiros.

A inflação com retração econômica: estagflação

Como muita gente já disse, o governo reteve a inflação ao longo dos últimos anos, controlando preços como combustíveis, energia elétrica e, também, ajudado por um câmbio supervalorizado.

Contrariando a teoria do próprio Keynes, que crê seguir, o governo não poupou na época que deveria (aumentando o superavit) e, no momento em que a economia agora se esfria, o governo não poderá usar a política fiscal expansionista para aliviar a força do ciclo econômico em seu momento de retração.

O excesso de empenho para manter uma taxa de crescimento elevada com inflação controlada vai se reverter em excesso de força na correção.

Que a correção do crescimento da década passada (leia-se: crise) viria, isso era inevitável. A menos que alguém discorde da ciclicidade da economia. Porém, essa correção poderia vir bem menos rigorosa se não fossem os esteroides usados pelo governo em uma crença injustificável por um crescimento interminável.

Apartidários

Por outro lado, quem nos conhece sabe que não defendemos nenhum governo. Nem esse, nem outro, estaria a salvo de nossas críticas econômicas e nem sob ataque de análises políticas, que não fazemos nem faremos.

Enfim, o povo que escolha seu governo, seja ele qual for e, partindo dessa variável, começaremos a trabalhar a nossa carteira de investimentos para aumentar nossos lucros (se você é muito curioso, saiba que nem votamos em 2014. Quem já nos conhecia sabe que estávamos no exterior na época).

Sendo assim, tome nossa crítica como puramente técnica, independente do seu posicionamento político próprio. Aliás, sugerimos fortemente que você comece a pensar em seus investimentos de maneira mais objetiva, separando política e economia, para que não perca oportunidades quando elas forem claras, nem aja com desespero, como aqueles que estão preocupados com “o fim do Brasil“, ou “o fim do mundo“.

Repetimos: acreditamos que o Brasil não vai acabar. Ou, se acabar, não será por erros e desgovernos, do que, aliás, nunca nos vimos livres nos últimos 500 anos. enfim, é melhor ir se acostumando com as roubalheiras porque, desculpem a sinceridade, é sistêmica no Brasil (ou você acredita que há mais do que 3 ou 4 políticos honestos em Brasília?).

O empobrecimento geral

Talvez você não tenha percebido, mas o dólar saindo de R$ 2,30 e indo a R$ 3,20 não causa somente uma pequena diferença na ordem dos número “2” e “3”. Na verdade, mesmo que você não vá ao exterior, nem pretenda investir ou comprar imóveis por lá, mesmo assim, você empobreceu consideravelmente. Seu computador ou celular, que está usando nesse momento para visitar nosso blog, certamente foi produzido lá fora, e teve seu preço formado em dólar. Além disso, vários insumos da agricultura são importados, não se iluda.

Mas esse não é seu maior problema no momento, a inflação acumulada em medição pelo ipca, de doze meses em fevereiro de 2015, já alcançou 7,70%, sendo maior que 1% nos dois últimos períodos. Mesmo considerada a sazonalidade, ela é muito alta e a maioria dos brasileiros não será capaz de manter, em sua renda ou em seus investimentos, uma variação positiva superior ao a esse nível no próximo ano ou próximos 2 anos.

Repetindo, pois isso é importante: se seu imóvel, seu salário (ou lucro), ou seu investimento não superarem esse benchmarking de 1% nos últimos ou nos próximos meses (ou cerca de 8% ao ano), você terá empobrecido ao final do período.

Quem está incluído aí? Praticamente todo mundo.

E a gente?

Nós nos defenderemos como pudermos, assim como já estamos nos defendendo desde sempre. É claro que, como servidor público, meu salário está congelado há alguns anos. Os servidores públicos, em geral, foram os primeiros a começar a “pagar a conta” (não é à toa que, em 2015, pipocarão greves por todo lado, pode anotar).

Por outro lado, em nossos investimentos, tudo está ótimo. Em setembro do ano passado, com dólar inferior a R$ 2,30, indicamos a compra da moeda, pelo módulo câmbio, e já conseguimos cerca de 38% desde então, evitando a perda que os outros tiveram.

Mais uma vez, a inflação está aí e vai empobrecer todo mundo, menos aqueles que souberem os segredos para investir com eficiência.

Mas, obviamente, empobrecer significa apenas reduzir o poder de compra das pessoas ou o valor real de seus investimentos, não significa que as pessoas morrerão ou passarão fome, enfim, que seja o fim do Brasil.

Trata-se, apenas, de mais um movimento de retração cíclico da economia e, para quem souber se posicionar, uma ótima fonte de lucrar muito, provavelmente até mais do que no movimento de alta.

Enfim, em termos de investimentos, quanto pior, melhor. E continuamos sorrindo diante do propalado Armagedom.

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Eduardinho é Auditor da Receita Federal e educador na área de Finanças Pessoais. Criador do método Carteira Rica de enriquecimento, o autor compartilha suas dicas neste blog e vai ajudar você a transformar o modo como lidar com seus investimentos.