planejamento estratégico

Planejamento estratégico: como usá-lo em suas finanças

O conceito de planejamento estratégico:

Você já deve ter ouvido a expressão “planejamento estratégico”, no ambiente corporativo.

O conceito, para a Administração de Empresas, refere-se ao procedimento de formular objetivos de longo prazo para uma determinada organização e, ato contínuo, selecionar as ações consideradas mais eficientes para alcançar tais objetivos.

Nesse processo, podem emergir as metas, que seriam como os pequenos degraus a serem atingidos, passo a passo, em direção aos objetivos maiores, que estão no fim do percurso e determinam a direção a ser tomada em cada movimento anterior.

A uma empresa sem um plano estratégico, falta-lhe de visão do futuro, e, por não saber para onde ir, a sua gestão padece pela falta de liderança, pela falta de engajamento de funcionários e da falta de criatividade para superar as adversidades que se apresentam.

Afinal, ela não tem nenhuma indicação de qual rumo seguir. Ela produz, produz e produz determinada mercadoria ou serviço, em vez de cumprir um determinado papel social.

Planejamento estratégico pessoal

Agora que você leu o conceito, que tal parar e ver como isso pode ser aplicado às suas finanças pessoais?

Formular objetivos financeiros, metas a serem atingidas, conquistar o seu próprio engajamento e o de seu parceiro e filhos nessa busca, tomando atitudes que possuem uma razão fundamentada e cumprindo o seu papel diante de sua família. É disso que se trata o planejamento estratégico aplicado na prática, e em sua casa.

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Torne seu planejamento operacional

Defina os objetivos

Escolha qual o seu grande objetivo financeiro. Estamos falando do maior objetivo financeiro de sua vida, não de metas intermediárias. Por exemplo, adquirir a casa própria (totalmente quitada) pode até ser seu maior objetivo financeiro – é o caso da maior parte dos brasileiros. Mas talvez não devesse ser.

Afinal, quem tem como único sonho a casa própria é porque está confiante em um futuro tranquilo baseado em uma aposentadoria do INSS conjugada, ou não, com um um plano previdência privada. Não é o objetivo do presente artigo, mas talvez você nem chegue a se aposentar com as futuras mudanças da previdência, talvez o valor das aposentadorias seja congelado, talvez a previdência privada não renda o quanto você espera.

Em outras palavras, se você ainda não a alcançou, melhor tentar buscar a independência financeira. E por conta própria, sem depender de instituições falidas como o INSS ou gananciosas, como os bancos administradores de previdências privadas.

Vamos, então, sugerir possíveis objetivos. Talvez o seu seja bastante específico, mas aqui abordaremos uma boa parte dos casos:

  • Garantir uma renda passiva para a aposentadoria que faça frente às suas despesas. Renda ativa você provavelmente já tem, pois é a decorrente do trabalho. Passiva é a renda que você receberá quando não mais quiser trabalhar, ou tiver condições para tanto. Além disso, não basta ser passiva, tem que ser suficiente.
  • Acumular um patrimônio suficiente para a tranquilidade da família. É possível que você já tenha alcançado o seu objetivo pessoal, esteja tranquilo, até bem aposentado. Mas você ficaria ainda mais tranquilo se soubesse que todos os seus filhos e netos poderão desenvolver suas personalidades sem precisarem de se preocupar com limitações financeiras (não estamos falando de esbanjar ou não trabalhar, estamos falando de ter tranquilidade, inclusive, para escolherem as profissões conforme suas vocações, não conforme a necessidade).

Trace seus objetivos financeiros em valores atuais e, atualize-os anualmente conforme o índice de inflação. Seja o objetivo de renda futura, seja o de patrimônio acumulado.

Veja que o primeiro caso não abrange apenas as pessoas que possuem um trabalho que as desgasta. Todos, ainda que gostem de sua atividade, uma hora terão que parar.

Além disso, certamente você precisará primeiramente acumular capital para, somente então, usufruir a renda que ele proporciona. Mas, nesse caso, perceba que seu objetivo final é a renda, a acumulação de capital não é um fim em si, como é no segundo caso. O segundo caso costuma se referir à aqueles que já possuem uma situação financeira bem definida, em outras palavras, alcançaram a independência financeira.

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Trace as metas

Aquisição e mudança para um imóvel melhor, conquistar a casa própria, acumular o suficiente para a faculdade dos filhos, adquirir um imóvel comercial, alocar parte do patrimônio no exterior, são metas pessoais.

Perceba que algumas delas não são consideradas metas de capital, outras são. As metas de capital são aquelas que, alcançadas, trabalharão para o seu objetivo maior. Separe umas das outras.

No parágrafo anterior, separemos o que é e o que não é meta de capital:

  • A aquisição de um imóvel comercial => pois pode gerar renda (objetivo 1);
  • A mudança para um imóvel melhor => pois resulta em maior patrimônio para a família, embora não gere renda (objetivo 2);
  • Alocação de patrimônio no exterior => pois gerará renda ou acumulará patrimônio, dependendo do ativo;
  • Poupar para a faculdade dos filhos => é meta financeira, mas não é de capital, pois não o ajudará a atingir os dois objetivos acima traçados.

As metas financeiras que não são de capital também devem ser traçadas, pois elas são importantes para você e devem ser cumpridas. Devem ser anotadas pois elas interferirão na sua capacidade de alcançar as metas de capital.

Traçar o plano de ação

A missão do Carteira RICA é justamente ensinar as pessoas a traçarem um plano de ação que lhes possibilite alcançar seus objetivos financeiros. Objetivo, cada um tem o seu. Mas nós trabalhamos para que você possa alcançá-los da maneira mais eficiente.

É comum as pessoas separarem entre ativos financeiros e métodos de investimento destinados a gerar renda e outros destinados a acumular patrimônio. Essa diferenciação está equivocada!

É um equívoco dividir os ativos financeiros entre aqueles que geram renda e aqueles destinados à acumulação de capital. Com liquidez razoável, tais ativos são intercambiáveis.

Assim, as pessoas costumam classificar como ativos geradores de renda:

  • Fundos imobiliários. Pois proporcionam distribuições mensais;
  • Títulos do Tesouro Direto pagadores de cupons;
  • Ações boas pagadoras de dividendos;
  • Aluguéis e cotas de condo-hotéis;
  • Direitos diversos, como concessões públicas, direitos de royalties, etc.

E ativos destinados à acumulação de patrimônio:

  • Ações de empresas que pagam poucos dividendos;
  • Títulos do Tesouro Direto que não pagam cupons;
  • Terrenos;
  • Ouro, operações em mercado futuro e derivativos;

Porém, perceba que, se você tem o objetivo final de gerar renda, você não precisa se ater aos ativos que proporcionam renda. Você pode adquirir ativos que proporcionem acumulação de patrimônio e, no horizonte de prazo para seu objetivo final (suponhamos, dez, vinte ou trinta anos), você pode revertê-los em ativos geradores de renda. Por exemplo, um terreno pode ser edificado, as ações poderão passar a pagar maiores dividendos no futuro, todo o capital que tenha razoável liquidez pode ser em determinado momento (favorável, de preferência) revertido para uma fonte de renda.

A acumulação de capital é um passo necessário e anterior à geração de renda passiva.

Por outro lado, se seu objetivo é acumular capital, nada lhe impede de adquirir ativos geradores de renda, desde que você reinvista a renda, em vez de consumi-la. Os títulos do Tesouro Direto permitem o reinvestimento automático. Já na Bolsa de Valores, você terá que aplicar seus dividendos em novas compras.

Nesse caso, importe-se apenas com a taxa de retorno (veja nosso Curso de Matemática Financeira Grátis) esperada para determinado ativo.

Conquistar o engajamento de todos os envolvidos

Uma vez traçado o plano de ação (por exemplo, poupar 10% – ideal a partir de 20% da renda mensal), é mais fácil conquistar o engajamento dos familiares em seu planejamento estratégico.

Afinal, uma coisa é você cortar determinado gasto supérfluo porque vocês aquele dinheiro é necessário para atingir determinada meta (por exemplo, a meta de juntar o suficiente para a faculdade do filho). Outra coisa é cortar “porque você é um pai chato”. Perceba que a diferença entre um caso e outro está em ficar claro para o filho e para você o motivo do controle das despesas.

Vá além das finanças

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O planejamento estratégico de sua vida deve envolver também as seguintes áreas:

  • Saúde e esporte: Não importa nenhum resultado financeiro se dele você não puder desfrutar;
  • Família e amigos: Definir objetivos financeiros que levem em conta sua família não é tudo o que eles querem. Defina metas de seu tempo a eles, com certeza é o que eles mais querem;
  • Cultura e lazer: Descansar, ter momentos de prazer intelectual é fundamental. Trace objetivos e metas;
  • Espiritualidade: Você morrerá e simplesmente desaparecerá? Pode ser, eu não estou certo disso;
  • Comunidade: Defina objetivos para a melhora das pessoas e do ambiente ao seu redor. Lembre-se: ao contrário do que os programas policiais mostram, não vivemos em uma guerra de todos contra todos e uma ação assim o fará mais feliz.

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Eduardinho é Auditor da Receita Federal e educador na área de Finanças Pessoais. Criador do método Carteira Rica de enriquecimento, o autor compartilha suas dicas neste blog e vai ajudar você a transformar o modo como lidar com seus investimentos.

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