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Quanto custa um cão? A dura realidade (financeira) de se manter um PET

Não dá para medir sentimento ou emoção, nem a sensação de chegar em casa cansada e ser recebida com a mais genuína alegria. Essas coisas são imensuráveis. É simplesmente impossível calcular o bem que produzem. Por isso, contabilizar a relação do ser humano com seu PET é algo um tanto difícil.  

Para muitos idosos, ou pessoas que vivem sozinhas, a existência de um animal de estimação em casa é a diferença entre os gastos com o bichinho e a economia com remédios para a depressão e outros males, por exemplo.

É tão forte essa relação, que vários centros de saúde e hospitais já incluíram ou estudam a possibilidade de incluírem visitas de cachorros e outros animais aos doentes e internos, como parte do tratamento.

Com o passar do tempo, a relação do ser humano com a natureza se tornou tão tênue, que essas criaturinhas: gatos, cachorros, aves, etc., que nos cercam acabam sendo a ligação com nossa verdadeira essência. Mais que isso, tornaram-se parte da família.

Porém, na hora que coloca essa relação no papel (aspecto financeiro) você descobre uma verdadeira bomba. Você pode até decidir que ainda assim compensa, é claro, como dissemos, na hora de decidir por um PET, a questão emocional é muito mais forte. Mas acreditamos que é fundamental ter consciência do custo para se manter um, até mesmo para planejar os gastos e proporcionar ao bichinho a mesma qualidade de vida que se quer para quem consideramos da família.

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Dinheiro é o que não falta no negócio dos PETS

Em primeiro lugar, é bom esclarecer que não é só de despesas que vive o mundo dos animais de estimação. Há muuiita receita também. Tem gente que já descobriu isso e fatura alto com as possibilidades.

De acordo com a ABINPET (Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação), o Brasil é o 4º país no mundo em número de animais de estimação e o 2º, em número de cães, gatos e aves.

Ocupa o 3º lugar em faturamento no mercado mundial de produtos para animais de estimação, ficando atrás apenas dos Estados Unidos e Reino Unido. Em 2014, o mercado pet no país faturou R$ 20,3 bilhões e continuou crescendo nos anos seguintes, mesmo com a crise.  

Quem gosta e decide empreender na área encontra um mercado promissor, que vai desde produtos de alimentação e pet shops até padarias e crematórios para cães e gatos e outros bichinhos.

Festas de aniversário, comida caseira, babá de animais e ensaios fotográficos também estão na lista dos novos serviços e não ficam para trás, geralmente, gerando boa renda para seus investidores.

Mas por que esse mercado é tão rentável? Por dois motivos principais: o crescimento da população de pets e a humanização dos bichinhos, que como dissemos anteriormente, se tornaram parte da família, com direito a todas as regalias e mimos que seus donos são capazes de proporcionar.

Quanto custa manter um PET?

O gasto com um pet é muito relativo. Se você opta, por exemplo, por ter um peixe, vai gastar muito menos do que se optar por ter um gato ou cachorro.

Na verdade, esse custo depende de inúmeros fatores: o tipo de animal, se será adotado ou não, a saúde do bichinho, o porte, os hábitos da família (por exemplo, se viajam muito, o que demandaria gastos com cuidadores), a quantidade de animais que têm em casa, entre outros.

Para efeito prático, vamos considerar o custo para se manter um cachorro, que é o bichinho mais comum nos lares brasileiros.

Vamos tomar como exemplo, um cachorro bem pequeno e uma família de classe média, com padrões normais de consumo (ou seja, está fora da contabilidade spa para cachorro). Vamos considerar os valores praticados em cidade de interior.

Tenho um exemplo bem prático em casa, uma cadelinha Pinscher Zero, de três anos e apenas um quilo e trezentos gramas. Dos 52 milhões de cachorros que existem no país, provavelmente, ela deve ser uma das menores. Assim, fica simples contabilizar, considerando os custos por baixo.

Vamos listar os seguintes tópicos: estrutura para o cão (comedouros, coleira, transporte para carro, tapetes higiênicos, cama, etc.), alimentação; veterinário, remédios, vacinas, castração, vermífugos e antipulgas, e os gastos com o banho. Valores orçados em fevereiro de 2018.

Não estamos considerando aqui, o preço do filhote, que dependendo da raça, do sexo e da localização pode variar de R$ 300,00 a R$ 10 mil.

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1 – Casinha, bolinha, bichinho, roupinha

Ninguém resiste a tanto “inho(a)”, quando o assunto é o seu “cãozinho”! Ainda mais diante de um filhote em casa, tão dependente de cuidados e atenção.

A verdade, é que o mercado de pets é feito para o consumo dos humanos, que cada vez mais, são seduzidos pelos novos produtos lançados.

Para a sorte do nosso bolso, os cães necessitam de pouco para estarem conosco, um lugar para comer e beber, um lugar para dormir, transporte seguro, coleira para passeio e tapetes higiênicos no caso de cães que dormem dentro de casa ou vivem em apartamento.

Esses são os itens que consideramos necessários para se criar uma estrutura básica. Deixamos de lado, outros pequenos apetrechos e brinquedos que podem ser criados facilmente com coisas que se têm em casa.

Como os custos desses utensílios são bastante relativos, pois variam de acordo com modelos, tipos de materiais e escolhas pessoais de cada um, consideramos os mais comuns e a média de preço do mercado para a região.

Em média, o custo para se criar em casa a estrutura para um cão de pequeno porte é de R$ 160,00, incluindo o transporte em veículo, que para cães pequenos deve ser em “caixas” apropriadas. Soma-se a isso, o gasto mensal de R$ 52,00 com tapetes higiênicos (escolha nada sustentável).

2- Alimentação

Gasto médio mensal para um cão pequeno, considerando ração de boa qualidade e petiscos (que nenhum dono é de ferro, mediante olhos ternos e pidões).

Não se engane, uma cadelinha de um quilo é uma fábrica de cocozinhos. Ou seja, apesar de pequenos, eles comem bastante. Porém, se comparados a raças maiores, a economia com alimentação é gigantesca: apenas um quilo de ração por mês. Coloca aí os petiscos, chegamos ao valor de R$ 35,00 mensais.

3 – Veterinário

Gasto médio anual, considerando um cão com boa saúde. Quando se dá as vacinas com o veterinário, no geral, é possível fazer um checape na mesma ocasião, apenas pagando pela vacina.

A consulta à parte acontece, quando o bichinho já está mais idoso e demanda acompanhamento frequente e/ou tem algum problema de saúde. Para questões de orçamento, vamos considerar uma consulta por ano.  

O preço padrão para cidades pequenas é de R$70,00. Como a ida ao veterinário nunca acontece sozinha, há sempre a necessidade de exames complementares, vamos considerar um hemograma completo, R$ 80,00. Daria um total de R$ 150,00, desconsiderando casos mais graves que incluem fraturas ou cirurgias.

Este valor, contudo, não se aplica a todas as regiões. Há cidades onde só a consulta varia de R$ 150,00 a R$ 200,00, fora os exames.

4 – Vacinas

Quem quer ter um cachorro, tem que vaciná-lo. É a forma mais segura de defendê-lo contra as doenças. Neste quesito não poupamos recursos e optamos por todas as vacinas disponíveis: V10 (R$ 70,00), Raiva (R$ 40,00), Gripe (R$ 50,00) e Giárdia (R$ 60,00).

Na fase de filhote, no primeiro ano de vida do cão, essas vacinas podem ser repetidas ou divididas algumas vezes, o que varia um pouco em termos de valores, porém para fins de contabilidade, vamos somar os referidos gastos anualmente apenas.

5 – Medicamentos

Mesmo saudáveis, os cães não estão isentos de fazerem uso de alguns “remedinhos”, como vitaminas, solução para evitar o mau hálito, sabonetes especiais, entre outros. Alguns desses remédios são de uso contínuo, outros ocasionais. Em média, o gasto anual com essas medicações, no nosso caso específico, não passa de R$ 130,00. Lembrando que o nosso exemplo de cachorro tem apenas um quilo. Para cães de porte maior, as dosagens aumentam, aumentando também o consumo da medicação.

6 – Castração

A castração, hoje em dia, é fundamental. Além de ajudar a controlar a população de cães e gatos e evitar a exploração de algumas raças, com a venda de filhotes, ela também evita diversas doenças no animal.

Uma cirurgia de castração para fêmea abaixo de 20 quilos, custa em média R$ 385,00. Há também as medicações e os cuidados pós-operatórios, que somados a este valor elevariam o custo para cerca de R$ 500,00, pago uma única vez.

7 – Vermífugos e antipulgas

No caso do vermífugo, é necessária a aplicação de seis em seis meses para controle. Vamos exemplificar: Uma caixa com quatro comprimidos de um vermífugo de qualidade custa em média R$ 38,00. A dosagem é de acordo com o peso do cão. Para um cão de pouco mais de um quilo, como o nosso, a dose máxima é de ¼ de comprimido, ou seja, uma caixa duraria oito anos.

Quando se adota um cão, ninguém pensa em adotar pulgas e carrapatos. Por isso, a tecnologia na área química é fundamental. Uma gota de um determinado produto por mês no dorso do animal pelo resto da vida é suficiente para manter seu cãozinho seguro e saudável, longe de parasitas indesejáveis.

O custo trimestral (embalagens com três frascos) desse medicamento é de R$ 137,00. Mas tudo depende do peso do animal.

8 – Banho e tosa

Para os cães de pequeno porte com pouca pelagem, o banho no pet shop é algo opcional e dispensável. Mas não são dispensáveis os produtos de higiene. Um xampu especial para cães com pelagem sensível pode chegar a custar R$ 45,00, em lojas especializadas em produtos veterinários. Mas há marcas de produtos para banho mais comuns e baratas, ao custo de R$ 12,00.

Devido ao tamanho e à demanda de um produto um pouco mais especial, uma alternativa que adotamos foi o uso de xampu neutro de bebê, que sai, em média, R$ 10,00, além de deixar nossa mascote com um cheirinho agradável. No nosso caso, um frasco dura cerca dois meses para banhos regulares toda semana.

Aparar as unhas é outra questão. Se você não aprender como faz e seu bichinho não for um anjo de candura para deixá-la efetuar o trabalho, em média se gasta R$ 20,00 para apará-las em locais especializados. Ou pode-se optar pelo combo “banho, tosa e unhas”, que sai, em média, R$ 60,00 em pet shop para raças de médio porte.

Como nossa intenção é dar uma noção por baixo dos custos, vamos considerar apenas os produtos de banho para fins de contabilidade.

Gastos com PET

Juntando todos os valores em uma única tabela anual, teríamos o seguinte:

Estrutura Alimentação Veterinário e exame Vacinas Remédios Castração Vermífugos, antipulgas Banho, unhas Total
R$ 160,00(parcela única)+R$ 624,00(tapetes) R$420,00 R$150,00 R$220,00 R$130,00 R$ 500,00(parcela única) R$552,75 R$100,00 R$2.856,75

Se desconsiderarmos o gasto com a cirurgia de castração (que ocorre uma única vez) e o valor pago para criar uma estrutura básica para seu bichinho, o total anual cairia para R$ 2.196,75.

Como a vida média de um cachorrinho de pequeno porte é de 15 anos, com a capitalização anual a 10%, somente a título de exemplo (a taxa Selic varia muito ao longo do tempo) e sem considerar os reajustes de preço que ocorrerem e os imprevistos, e considerando os mesmos padrões de consumo, ao final deste período você terá gasto com seu cãozinho o equivalente a R$ 72.529,35. Ou seja, uma entrada para adquirir um imóvel (o total somado, sem aplicação dos juros compostos de 10% ao ano é de R$33.611,25, incluindo uma única vez castração e estrutura básica).

Essa projeção não vale para cães maiores. Enquanto nossa pequena mascote come um quilo de ração por mês, um São Bernardo, por exemplo, que pode pesar mais de 90 quilos, come um quilo de ração por dia, ao custo mensal de R$ 240,00 e anual de R$ 2.880,00 (só na variável alimentação).

As raças com pelos longos também demandam tosas constantes e, portanto, visitas periódicas ao pet shop, o que aumentaria os custos que podem variar de R$ 45,00 a R$ 150,00 por mês, ou R$ 540,00 a R$ 1.800,00 por ano.

Mas os cálculos relativizam ainda mais se você considerar cuidadores ou hotéis para os períodos de férias, em que não seja possível levar seu cãozinho; adestradores; ou se você morar em alguma capital ou cidade maior, onde os serviços sejam mais caros e/ou ainda se os hábitos com seu cachorro incluírem algumas excentricidades, como festas de aniversário, terapias, etc…

Sim! Há formas de economizar! No caso de cães que nunca adoecem, isso reduziria os gastos com veterinário e remédios, por exemplo. Mas não se engane. Essas são as piores formas de poupar o dinheiro. Investir na saúde do seu cachorro é ter a certeza de criar um relacionamento saudável entre ele e sua família e evitar desgostos futuros.

Contudo, se você quer saber como criar seu cachorro de forma saudável e economizar ao mesmo tempo, não perca nosso próximo artigo.

quanto custa um cão

Quem resiste?

Já dizia o poeta, Vinicius de Moraes: “Mas que amor de cachorrinha!… Pode haver coisa no mundo/ Mais travessa, mais tontinha/ Que esse amor de cachorrinha/ Quando vem fazer festinha/ Remexendo a traseirinha?”

E a gente bem sabe o que é isso! Como dissemos, não dá para calcular sentimento ou emoção, nem a felicidade que os bichos trazem para nossa vida. Talvez isso não tenha preço, mas o resto, a gente consegue contabilizar. 

 

Se você gostou do assunto, não deixe de ler nossas dicas para economizar em sua relação com o cachorro, a parte 2 de nosso tema PETs.

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Elis é jornalista aficionada por finanças pessoais. Segue firme na trilha para a liberdade financeira.