custo ter filho

Como diminuir os custos da criação de um filho

Bebê é o seguinte: quem quer, tem.

Até porque a concepção é de graça e uma das poucas coisas ainda democráticas nesse mundo: basta você encontrar outra pessoa com o mesmo desejo, de ter um filho (às vezes, o outro nem quer, e mesmo assim o filho vem).

Se realmente fosse imprescindível todo esse dinheiro que se encontra na última linha (somatório) daquelas planilhas de estimativa de gastos com a criação de um filho, certamente eu não existiria. Muito menos minhas duas irmãs, que vieram depois de mim.

Onde come um, comem dois.

Exemplos muitos você encontra na periferia: famílias com 5 ou 6 filhos (o que já é considerado um exagero, um anacronismo, do ponto de vista de um vivente do século XXI).

Digo deste século porque na roça, até meados do século anterior (o fenômeno da urbanização brasileira tem pouco mais de 50 anos), quanto mais filhos, mais braços para a lavoura (meu avô, por exemplo, foi um homem muito rico, tinha 14 filhos…)(para quem não percebeu, fui irônico).

Ter filhos não é uma decisão financeira. Mas não ter, pode ser.

Assim, se você quer ter um filho, a última coisa que deve fazer é estimar, antes do nascimento, os cálculos de quanto gastará para criá-lo.

É que a decisão de ter filho é tão profunda e íntima, que suplanta qualquer cálculo matemático. Se você quer, tenha. Depois tudo se ajeita (com uma boa dose de disciplina financeira e contenção de gastos, pois a realidade pode ser boa, mas é dura).

Colocando na ponta do lápis a criação até os 18 anos, ou, sendo mais realista, até uns 2 ou 3 anos após o término da faculdade, digamos, 25 anos para os millennials, provavelmente você chegará à conclusão que não tem possibilidade de ter um.

Talvez a mãe adie a decisão consecutivas vezes, aguardando a estabilidade financeira, até que acabe passando dos quarenta e talvez precisando de uma ajudinha da medicina reprodutiva.

Enfim, se você partir para os cálculos, não estará colocando na mesa esse trade-off miserável que a decisão lhe impõe:

 Ou eu tenho o filho cedo, mas com parcos recursos, e talvez não aproveite sua infância, pois estarei me matando de trabalhar para prover o necessário;

 Ou eu deixo para mais tarde, quando estiver financeiramente estável, e quiçá estarei mais ocupado(a) que hoje, não tenha fôlego para acompanhá-lo nas brincadeiras e talvez tenha até dificuldade na concepção.

Resumindo, não há cálculo matemático que inclua esse tipo de variável. Então não abra planilhas de estimativa de gastos com a criação de um filho, até que você efetivamente o tenha. Também não há cálculo matemático que leve em consideração a fofura e o prazer da companhia das criancinhas.

crianças

Os próximos passos

Superadas as preliminares e nascido o filho, a realidade matemática agora se impõe.

Em se tratando de um simples casal, ao chegar o rebento, a matemática diz que a renda per capita da família instantaneamente reduz 33%.

Exemplificando, suponhamos que sejam 10 mil, que antes serviam a dois. Portanto, 5 mil per capita. Dividida a mesma renda para três, temos 3,3 mil per capita.

Conclusão: se você quiser continuar poupando, terá de apertar o cinto.

Pesquisei na internet por algumas dicas sobre redução de gastos com a criação dos filhos. A essas, acrescentei as minhas. Vamos a elas?

 

Dê preferência a roupas, brinquedos e livros usados

Lembra que eu disse que não teria nascido se meus pais tivessem realizado cálculos? E olha que meu pai era contabilista, não fez contas porque não quis.

Quando pequeno, minha mãe trocava, nos sebos, os livros didáticos que eu terminara de usar, pelos do próximo ano. Ela também costurava as roupas que se rasgavam e os brinquedos, que nem sempre haviam sido comprados, passavam de irmão para irmão, por tradição (houve brinquedos que sobreviveram a dez anos de “uso”).

Hoje, a vida dos pais é mais “fácil”. E não estou falando dos brinquedos industrializados, sem qualquer qualidade pedagógica, que inundam o comércio. Estou falando da possibilidade do pai usar um site de troca de brinquedos ou ir a uma feira de troca, o que não havia antigamente. Busque no Google e seja feliz!

 

Incentive brincadeiras, em vez de brinquedos

Você já deve ter lido adultos dizerem que mais vale uma experiência que bens materiais.

Mil vezes mais esse ditado vale para crianças.

Em vez de afogar seu filho em um mar de produtos de plástico (e que custam dinheiro, oras) e deixá-lo carente de afeto, busque produzir seus brinquedos e busque também na internet ou no convívio com outros pais novas brincadeiras.

Se você acha que uma criança precisa de dinheiro para se divertir, está redondamente enganado.

O cinema que você paga para seu filho, naquele “passeio” ao shopping, com direito a fast-food ou pipoca em um total superior a 50 reais/pessoa não proporciona a ele um centésimo da diversão que essas criancinhas (vídeos abaixo) do Vale do Jequitinhonha e do Maranhão têm ao criarem seus brinquedos a partir do “nada”.

Dinheiro tem relação com felicidade? Diz aí, quem é mais feliz:

 

A criança que brinca aqui:

shopping

Ou qualquer uma dessas aqui:

Veja o canal no Youtube do Território do Brincar, apoiado pelo Instituto Alana, dezenas de vídeos, que fazem-me chorar “igual criança”, quando assisto.

 

 Cultive a amizade com outros pais

Poucos “extratos” da sociedade são tão solidários quanto pais.

Um pai tem uma tendência e uma facilidade para ajudar outro. As ideias e soluções de um podem resolver aquele problema que o outro está vivenciando no momento.

Pais também se unem para cortar custos. Está cada vez mais comum o rodízio de filhos. Vi uma reportagem em que 5 famílias se uniram para dividir a contratação de uma babá, que brinca com os 5 filhos e 1 dos pais, cada dia na casa de uma família.

Muito mais barato que a creche (uma babá dividida por cinco), e com mais qualidade afetiva, esses pais encontraram uma solução muito boa.

Com amizades, seu filho também sempre tem um lugar interessante para brincar (a casa dos coleguinhas), ou companhia para brincar em sua própria casa, sem necessitar de diversão “comprada” (e sem graça) nos finais de semana.

 

Use intensivamente locais públicos

Parques municipais, dependendo da sua cidade, passeios em feiras, gramados e praças de bairro.

Não servem só para brincar a todo instante, mas os parques agora têm se tornado palco de festas infantis. É a nova onda: festa no parque. Em vez de gastar milhares de reais alugando aquele salão de festas, faça de graça no parque. E ainda está na moda, ninguém vai poder criticar. E quem criticar, você não convida mais.

Nos vídeos que compartilhei acima, você vê como as crianças pobres fazem uso intenso de rios, ruas, lavouras e tudo quanto é lugar para ser palco de suas brincadeiras. Gratuitamente, claro (a maioria delas só vai conhecer uma nota de 50 reais depois de uns quinze anos de idade).

 

 Não fomente a tecnologia precoce

Tecnologia é um imenso gasto. A obsolescência programada, então, um horror (celulares, computadores e vídeo-games são criados para ficarem ultrapassados em pouco tempo).

Smartphone = Dumbparents

Além disso, não é educativo, nem engraçado, você mostrar como seu filho pequenininho já sabe usar um smartphone. O mais provável é que você esteja criando um monstro, e não um gênio da tecnologia, o próximo Steve Jobs. Não seja tolo.

 

 Não faça “sobre-compras” para seu primeiro bebê

Aguarde a necessidade, para só então adquirir as coisas. É impressionante como pais (ou melhor, mães, segundo o exemplo aqui de casa) gostam de antever situações e comprar tudo para os filhos preventivamente.

Excesso de roupas de determinado tamanho é o maior risco. É (altamente) provável que, quando o pai tente vestir o filho com determinado conjunto, esse já não sirva. A verdade é que esse conjunto foi comprado muito antes, quando não havia necessidade. Talvez porque era bonitinho. E se tornou um dinheiro jogado fora.

 

 Busque a alimentação inteligente

Esse eu deixei por último pois é o único que creio que possa causar polêmica.

A alimentação saudável não é, em geral, mais barata que a junk food. Mas o que você gasta além no presente com comida, economiza no futuro com saúde e remédios.

É bem difícil estimar quanto se ganha com isso. Porém, mais uma vez sem contar com a precisão dos cálculos, eu considero que seja também financeiramente favorável aos pais optarem por uma alimentação saudável para todos em casa.

 

E você, tem mais alguma dica para economizar com filhos, sem reduzir a qualidade de vida, ou mesmo aumentando?

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Eduardinho é Auditor da Receita Federal e educador na área de Finanças Pessoais. Criador do método Carteira Rica de enriquecimento, o autor compartilha suas dicas neste blog e vai ajudar você a transformar o modo como lidar com seus investimentos.